MOKI, dotada de uma voz firme e audível que apesar da sua energia fresca e divagante não encontra um pingo de timidez, guia as canções que se desdobram e crescem para além do seu formato, ondulando pelo ar e dilatando ao sabor do vento. Há uma poderosa harmonia que a liga fortemente aos instrumentais, pautados por uma percussão seca, viva e texturada e dedilhares sensíveis de guitarra que não deixam de mostrar seivosas fissuras de uma aura silvestre de padrarias sem sombra.

A música, de carácter soalheiro, oscila entre os acessos mais oníricos proporcionados pelo dueto cordas/voz e a noção mais terrena e concreta encontrada na irrequieta secção rítmica, algo que vai sendo visível ao longo da quase meia hora de Talks, uma representativa amostra da experiência texturada e vívida que é ouvir MOKI e a sua voz que, confortavelmente, vai dançando entre este mundo e aquele da poesia.

Pelo ar, entretanto, já tem espalhado Talks, EP de 6 faixas que lançou no auge do Verão, nesse já tão distante Agosto de 2016. A cantora surge acompanhada em estúdio por Alexandre Bernardo que instrumentalizou a mão cheia de composições que, em toda a sua leveza, indiciam uma certa ferocidade e garra afiada. Ao vivo, apresentar-se-há na Casa Independente num alinhamento integra também Diogo Vargas e Pedro Gerardo.

A banda toca às 22h no dia 28 de setembro. Talks é para se ouvir aqui.