O duo synthpop Monarchy teve o azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, precisamente numa época em que todo o mundo estava maravilhado com os Hurts. Com uma bem cuidada e misteriosa imagem e uma sequência empolgante de singles – “Gold In The Fire” e “The Phoenix Alive” -, e até o lado B “Black, The Colour Of My Heart” que causou frisson na blogosfera, Andrew Armstrong e Ra Black viram o auto-intitulado álbum de estreia ser abortado pela sua editora Mercury Records, que rompeu o contrato com a dupla meses depois de os ter assinado. O debut só sairia no ano seguinte, com um novo nome – Around The Sun – pelo selo 100% Records, quando o interesse pela sua música parecia ter diminuído.

A banda chegou a encerrar atividades um mês após o lançamento do segundo disco, o razoável Abnocto, de 2015, mas reconciliou-se pouco tempo depois, continuando a gravar resultando no lançamento do fraco EP de covers Re|Vision, ainda no mesmo ano. Armstrong e Black retornam agora, em 2017 com um novo single, “Hula Hoop 8000” lançado pela Warner Music espanhola. A canção é um technopop límpido e de fácil audição que assimila elementos de flamenco e contém nos vocais em falsete de Ra Black um diferencial decisivo – a fuga do modelo barítono-atormentado de Dave Gahan dos Depeche Mode é altamente positivo num campo minado de imitadores, além de, musicalmente, os Monarchy ganharem em sofisticação em relação aos seus co-irmãos do segundo escalão, especialmente o futurepop urdido por boa parte das bandas germano-escandinavas.

Os Monarchy continuam a ser bons compositores de pop sintético, num sentido Vince Clarke da afirmação, e embora “Hula Hoop 8000” ainda esteja longe das encantadoras canções da primeira leva dos Monarchy, não é de se descartar que o seu apelo pop os faça voltar à ordem do dia.