Deve ser da água que corre nas torneiras da cidade do psych e dos vestígios de gotas de ácido que lá se encontram acidentalmente, porque a criatividade dos seus habitantes é um rio que teima em não parar de correr. Se os King Gizzard And The Lizard Wizzard, um dos expoentes máximos do psych contemporâneo, lançaram literalmente uma mão cheia discos de originais durante 2017 – sim, foram mesmo cinco -, não se pode dizer que os Moon Duo lhes tenham ficado muito atrás, num ano em que não estiveram particularmente sossegados.

A banda de Ripley Johnson e Sanae Yamada, que passou este ano pelo Vodafone Paredes de Coura, lançou dois volumes de uma observação sobre o ocultismo e o equilíbrio divino do Yin e do Yang: o masculino e feminino, o bem e o mal, a luz e as sombras e o balouçar cósmico entre os dois hemisférios da consciência e do ser. O primeiro disco, lançado em Fevereiro, Occult Architecture Vol. 1, folheava de forma mais negra o manual de arquitectura secreta do duo norte-americano, enquanto Occult Architecture Vol. 2, que via a luz do dia um mês depois, conduzia uma investigação pouco laboratorial pelas páginas mais iluminadas desse mesmo manual.

Não alterando nem uma nota à composição química do seu som, que se transmuta constantemente entre o psicadelismo, o kraut, o post-punk e o punk rock soturno e minado de substâncias inspiradoras, os Moon Duo prosseguem uma viagem iniciada em 2009 com os singles “Love On The Sea” e “Killing Time” – temas que abriam caminho ao mini LP Escape de 2010 e ao disco de estreia, Mazes, editado em 2011 naquela que viria a ser a sua casa até hoje, a Sacred Bones.

Os Moon Duo voltam agora a Portugal para uma mini-tour no início de Fevereiro. A banda de San Francisco repete o palco do Musicbox, onde esteve há cinco anos, no dia 12, passando antes pelo gnration, em Braga, no dia 09 e pelo Salão Brazil, Coimbra, no dia seguinte e terminam a caminhada em Leiria no dia 11 no Texas Bar. Os Moon Duo vão ter a companhia na data bracarense dos portugueses 10.000 Russos que lançaram este ano pela Fuzz Club o segundo álbum, Distress Distress.

Os bilhetes para todos os concertos estão já disponíveis nos locais habituais e custam 10€ em Lisboa e Coimbra, e 7€ em Braga.

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