Há um véu que separa o rosto de Moses Sumney do resto do mundo na foto que acompanha as informações sobre o novo tema do músico e compositor norte-americano – “Indulge Me”. Há também um outro véu que o separa do resto do mundo, o véu de uma identidade peculiar e detalhadamente sensível que lhe permite simplificar a grandiosidade de forma simples… e grandiosa. Um ciclo de criatividade e de afastamento do mundo que o rodeia que cresce, orbita e se expande em várias direcções mas essencialmente para dentro, de forma a abrir um canal para fora.

Aromanticism será o primeiro longa-duração de Moses Sumney e sai já este mês na Jagjaguwar. Através de um curto trilho de canções usadas como veículo de introdução a este seu estranho mundo, Sumney largou já as migalhas necessárias para não deixar ninguém perder-se no caminho para um disco que não se espera de maravilhas mas sim feito de um maravilhoso trabalho de introspecção sobre a falta de amor, sobre o romance e as suas interligações segundo conceitos meramente sociais e as formas em que esse estado de enamoramento romantizado se metamorfoseia em obras de arte.

Depois da revelação primária de “Doomed” em Junho passado encarar o mundo pintado de tons de azul e soul escuro, Sumney avançou passado dois meses com um tratado sonoro repleto de aproximações a uma realidade perpendicular onde a soul antes apresentada se cruza com a energia desesperante de uma história de amor entre duas partes em guerra, segundo uma lógica sonora que tanto traz para o campo de batalha o lado experimental e acústico dos Radiohead aliados a um jazz extra-planetário, como uma delicadeza pouco comum entre os terráqueos e que comummente termina em tragédia para o ente sensível. Em tons de amarelo torrado e flores vermelhas Moses Sumney introduzia “Quarrel”, tema que conta com a colaboração de Thundercat.

Mas como de espaço sideral estão as mágoas de amor cheias, Moses arrasta as angústicas de volta ao planeta azul com o terceiro single sem tirar efectivamente as mãos da guitarra e os pés do quarto onde escreve as suas canções lá em cima no cosmos. “Indulge Me” poupa nas palavras, e coloca-as enquanto mantra folk num terceiro vértice de um objecto sagrado olhando olhos nos olhos com “Holocaust” dos Big Star e “Life On Mars?” de Bowie. O novo tema é entregue num vídeo simples de imagem distorcida como se o líquido que conservava Sumney distante do mundo exterior em “Doomed” se tornasse turvo e mais denso, tornando a distância para a dor ainda mais espessa.

I don’t trouble nobody
Nobody troubles my body after
All my old others have found lovers.

Moses Sumney edita Aromanticism no dia 22 de Setembro e, para além de “Doomed”, “Quarrel” e “Indulge Me”, o disco conta com uma nova versão para “Lonely World” que fazia parte do EP Lamentations de 2016. O músico passou também pelo End Of The Road Festival e deu um concerto secreto onde deixou a sua marca numa versão para “Come To Me” de Björk.

 

Moses Sumney - Aromanticism

Moses Sumney – Aromanticism

Aromanticism 

01. Man on the Moon (Reprise)
02. Don’t Bother Calling
03. Plastic
04. Quarrel
05. Stoicism
06. Lonely World
07. Make Out In My Car
08. The Cocoon-Eyed Baby
09. Doomed
10. Indulge Me
11. Self-Help Tape