“Alps” acabara de saltar para as plataformas digitais e físicas em 2010 quando o nome Motorama se fizera ouvir pelas primeiras vezes. Uma banda provinda da Rússia que se formou em 2005 e que se aventurava pelos riffs de guitarra com uma voz particularmente reconhecível, mas de alguém que não conhecíamos. Dizer conhecer porque ouvir música é mesmo isso: familiarizarmo-nos com alguém com quem nunca nos cruzámos pessoalmente. Motorama era esse tipo de familiar. Um acostumado de outrora, sem deixar de soar a novo.

Nunca deixando o post-punk de lado, o quinteto foi abusando do indie nas suas faixas desde então. A nostalgia presente na sonoridade destes russos poderia muito bem ter vindo dos recantos de Inglaterra numa outra altura do espectro temporal. Mas o timbre adaptado a uns Joy Division de uma realidade paralela com legado de The Sound faz com que nos sintamos em plenos anos 80, porém com letras profundamente alegres e joviais.

O álbum de estreia dos russos Motorama deixava uma promessa que viria a ser cumprida. Assemelhando-se aos contemporâneos Soviet Soviet e Human Tetris, conseguiam moldar o som em cada trabalho seu, não abandonando a fórmula primária. Em Calendar de 2012 não fugimos aos efeitos de batida rítmica e em Poverty de 2015, relembraram algo parecido a New Order, com influências de new wave.

Pelos palcos nacionais, estrearam-se em Portugal em 2013, onde passaram por Lisboa, Porto e Braga. A 28 de Agosto de 2015 integraram o cartaz do Festival Entremuralhas, em Leiria, para um ano depois fazerem parte do certame do festival Vodafone Paredes de Coura. Já com uma base sólida de ouvintes pelo país, era inevitável o seu retorno para breve e com músicas frescas.

O outono de 2016 trouxe consigo Dialogues. Talvez pela fusão entre a frieza na voz e o aconchego instrumental, essa foi a altura ideal para o lançamento de uma mudança no som dos russos. O quinteto de Rostov-on-Don apresentava agora este novo álbum com um som mais indie pop, onde se distinguiam melodias de mãos dadas com um lado groovy e funky. Os sintetizadores impõem-se sorrateiramente, porém os russos mantém as raízes de sempre com o post-punk do Ian Curtis que habita na voz sombria do vocalista Vladislav Parshin.

Os Motorama vão levar o seu novo Dialogues a dois pontos do país em Março. Com organização da Music Is My Oyster e passando por Lisboa e Porto, os russos voltam a espalhar o seu rejuvenescido post-punk fundido com um leve indie rock pelas terras lusas onde existe já uma intimidade notória dos russos com os portugueses. Espera-se uma visita pelos quatro trabalhos de estúdio que deram a conhecer esta banda onde se nota a seu nacionalidade apenas no bilhete de identidade.

A banda A Dead Forest Index acompanha-os na abertura dos concertos na capital e na Invicta. O som da dupla neozelandesa ficou conhecido pela colaboração com a guitarrista Gemma Thompson das Savages. “Myth Retraced” eternizou esta cooperação no álbum de estreia editado pelos irmão Adam e Sam Sherry.

O grupo, que já serviu de abertura para Chelsea Wolfe, apresenta sons simples e composições densas e cativantes, capazes de nos transportar para um estado mental relaxado e devaneador. In All That Drifts from Summit Down foi lançado em 2016 e marcou a estreia desta banda que angariará muitos fãs por cá.

“To the South” dos Motorama e “Tide Walks” dos A Dead Forest Index serão certamente temas de passagem obrigatória nos concertos de hoje, dia 18 de março no Porto no Hard Club e amanhã em Lisboa no Sabotage.

Motorama + A Dead Forest Index Pt Tour Poster 2017

Motorama + A Dead Forest Index Pt Tour Poster 2017