Noite fria de Dezembro e são muitos os que rumam à Caixa Económica Operária para mais uma excelente proposta d’A Comissão: a XI edição de “Another Night at The Box” traz, desta vez, até Lisboa os russos Motorama há muito esperados por uma franja de amantes do indie pop europeu e os portugueses First Breath After Coma, vindos de Leiria e com álbum de estreia datado de Outubro.

A sala de concertos, muito querida para nós pelo espaço e história do que representa em Lisboa, está bem composta à hora marcada. A banda de Leiria começa pouco depois da hora agendada e é bonito olhar em redor e ver as reações. A abertura com “Andro” põe-nos de sobreaviso como um chamamento e muitos descem do bar para a plateia. O sussurro “Ah, já os tinhas ouvido? São bons!” passeia entre o público e trocam-se sorrisos cúmplices de antecipação e expectativa.”Almadraba” marca o tom da viagem que se seguirá; somos exploradores, somos descobridores, somos corpos que movem a um som só. “Mermaids”, que não se encontra no álbum The Misadventures Of Anthony Knivet, tem a força que agrega os mais distraídos. Seguem-se “Dead Man Tell No Tales”, “Shoes For Man With No Feet”, “Skáphos”, “Knivet” e que nos faz mergulhar em águas mais profundas ainda, se é que tal é possível! A “Punch The Air”segue-se “Wait”, a versão de M83, na nossa opinião com mais força do que o original. Para o final, a escolha dos temas mais fortes do álbum: “Escape” e “Apnea” e estamos rendidos. À semelhança do que já se tinha passado noutros espaços de Lisboa, a banda termina com o público ganho e a pedir mais. Estes senhores sabem o que fazem. Merecem toda a nossa atenção no futuro.

Pausa necessária para acalmar, assentar ideias voadoras e preparar o espírito para um ambiente mais pop. Os Motorama entram em palco. A timidez e a reserva que antes nos tinha sido mostrada num momento anterior em entrevista com Vlad Parshin (voz, guitarra) e Max Polivanov (guitarra) parece irreal ao vermos a postura em palco. Estamos perante músicos que notoriamente vivem para o palco e se transformam quando o pisam. A energia que chega até nós é pelo gozo que eles têm a tocar. A banda de Rostov-On-Don arranca com “Lantern”, um dos temas mais emblemáticos do início da sua carreira presente no EP Bear. Segue-se uma espécie de duelo sonoro entre canções dos dois álbuns da banda: Alps e Calendar, com passagem pelos vários EPs. Destacamos “White Light”, “To The South”, “Winter At Night” e “Eyes”, sendo as duas últimas as mais recentes canções editadas em 2013. O público de parabéns, mostrando-se conhecedor, entusiasmado e sempre a dançar, cantando em conjunto com Vlad. Não se poderia passar ao lado de se falar em Irene, a encantadora baixista e parte importante da alma das canções e dona de um encanto irrequieto. Já quase no final ainda nos presentearam com uma canção nova que não foge ao estilo de bom gosto a que nos têm vindo a habituar.

Após uma saída relâmpago do palco, regressam para uma despedida com dois dos temas mais esperados: “There’s No Hunters Here” e “Warm Eyelids”. Um adeus russo a deixar saudade ainda antes de terem partido.