O provérbio diz “De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento“. Já os MOURN dizem ” ele que se f*da“. Carla Peréz Vas, Jazz Rodríguez Bueno, Antonio Postius e Leia Rodríguez ainda estão a entrar no grupo das ‘vinte primaveras’ e já fazem música como gente grande. O post-punk deste grupo catalão é uma lufada de ar fresco, que tem de tudo para seguir as pegadas das compatriotas Hinds e fazer de Espanha uma catapulta para bandas indie conquistarem um lugar no panorama musical internacional.

Estamos perante uma banda que quer e sabe como crescer, deixando para trás a adolescência inocente e passando a envergar uma faceta de impiedade, adjectivo universal para descrever a música dos MOURN. Quem a ouve, é destruído. Quem a ouve, quer ser destruído. Ha, Ha, He, nome do segundo disco a ser lançado sexta-feira, pode ser visto como uma risada maléfica, como a de um vilão sádico que tem prazer em causar dor aos outros. Ou então, a de masoquista, mutilando-se vezes e vezes sem conta enquanto aproveita cada momento. Se estivéssemos numa casa de apostas, todo o nosso dinheiro recaía na segunda opção: dá gosto ser arrasado por música que tem tanto de poderosa como de bela.

O lançamento do homónimo em 2014 foi adorado pela crítica. O único problema? Foram ofuscados pelo estrondoso sucesso das madrilenas já referidas, que na altura ainda davam a cara como Deers (parece que a batalha de Catalunha e Madrid não existe apenas quando o Barcelona e o Real Madrid se encontram em campo), e aos olhos do público passaram um pouco despercebidos. Para 2016, a história não se voltará a repetir. Ha, Ha, He tem tudo para ser mais, maior e melhor que Mourn fora. De todos os indícios dados a conhecer até ao momento, é difícil não ficar espantado com a confiança e a genialidade destes miúdos, com as proporções que o novo disco está a tomar.

Para além de nome do álbum e refrão de “Irrational Friend”, Ha, Ha, He, inspira-se no poema de Willam Blake, “The Laughing Song”, presente na famosa colectânea de poemas Songs of Innocence and Experience. A leitura de obras tão complexas, e a inspiração na mesma, apenas vem demonstrar a maturidade desta jovem e talentosa banda, que concilia experiências, interesses e gostos pessoais na sua lírica, sempre acompanhadas por melodias destruidoras.

Os auto-intitulados “nerds playing music and shit at the doors of hell” cresceram. A preocupação que tínhamos para estes jovens – será que vão conseguir dar continuidade à atenção que estão a receber? – é respondida através de um ‘manguito’; os MOURN não precisam que ninguém tome conta deles ou lhes diga que são uma grande banda, eles sabem que são.