Longe vão os tempos em que os Mumford & Sons eram sinónimo de concertos esgotados um pouco por toda a parte e cada vez mais longe vai também estando aquele mundo em que a folk embebida em tradição fervilhava, não só nas playlists e nas rádios, como principalmente nos palcos. Ainda que em grande parte regressada à condição semi-anónima de que gozava antes da explosão mediática do início dos 10’s do novo século, nem por isso a banda de Marcus Mumford enfiou o violino no saco. Nem mesmo depois de um terceiro disco que desencantou a maioria dos fiéis que se abandonavam a melodias conduzidas por uma sinfonia de acústicas e banjos, aquelas que preenchiam e desenhavam os dois primeiros registos da banda, Sigh No More, de 2009 e Babel, de 2011.

Se é verdadeira a premissa de que a voz inconfundivelmente quente de Marcus traz consigo quase de forma instintiva um coro de violinos e banjos associado, verdade é também que essa já quasi-expectativa sai, na sequência e à luz do disco anterior, novamente defraudada no novo tema, “Guiding Light”. O que se vivencia na canção de avanço para o álbum número quatro dos britânicos – que levará apropriadamente o título Delta –, é algo que se coloca no final da mesma ponta deixada solta em Wilder Wind, o último registo de estúdio até à data, lançado em 2015, mas que ao mesmo tempo faz jus ao colectivo que colocou vários instrumentos tradicionais no epicentro da cultura pop.

Embora “Guiding Light” não demonstre a mesma inclinação ligada à corrente e embrulhada no pop rock dos temas que fizeram a história de Wilder Wind e que denunciavam subtilmente, aqui e ali, atmosferas que remetiam para as raízes sonoras da banda, a incarnação de 2018 dos britânicos posiciona-se, com o primeiro tema para Delta, entalado algures num meio termo mais ou menos pantanoso que nem tanto puxa ao banjo, nem tanto puxa ao rock.

O presente faz-se de algo extremamente familiar a quem viveu os Mumford & Sons na sua fase mais estratosférica, mas sem os tais instrumentos que geram precisamente esse sentimento confessadamente saudosista para tantos. Terão conseguido os britânicos não alienar e ao mesmo tempo renascer com uma sonoridade que acaba por ser uma reinterpretação do passado? Os novos temas e o novo disco o dirão.

Marcus Mumford confessou a Annie Mac, no seu programa de rádio:

It was a bit of a beast to try and get on record. It was hard work. We kind of tried it in loads of different ways…this one took a while. We wrote it like a year ago, but it’s taken a while to just get it to that point and now we’re happy with it. [The record will] draw on the shared experience of being on and off the road [and is] a moving collection of songs perhaps more intimate and expansive, both lyrically and musically, than ever before. I think at the beginning [of recording the album] we kind of fell back in love with the old instruments we didn’t play on ‘Wilder Mind’ like the acoustic stuff and the more folky instruments but [we were] conscious [about] how we can make these instruments sound not like these instruments which opened up a whole new world for us… [Delta is a] tender listen, [that is] introspective and reflective, [with] ecstatic stadium-sized dynamics.

Delta tem data de edição agendada para 16 de Novembro, pela australiana Dew Process.