Sendo o planeta cada vez mais um plano horizontal pelas mãos da tal coisa chamada globalização onde tudo se funde e onde cada vez menos nos podemos reger por tags e linhas estilísticas concretas – o e ainda bem ou não fica ao critério de quem leia estas frases – não é de estranhar uma crescente onda de bandas que vivem de amalgamas de sons e tendências sem descurar uma pós-modernidade futurista. Lembremos-nos dos Battles, dos And So I Watch You From Afar (que também se preparam para lançar novo disco), dos Adebisi Shank ou dos Holy Fuck. E servem estas como referência porque é nas teorias expansionistas do universo da fusão da electrónica com tropicalismo (afro, caribenho ou brasileiro), do math-rock com um post-rock pesado e dançável que os Mutiny On The Bounty se apresentam a quem ainda não teve o prazer de se cruzar com eles.

A última vez que levamos com eles (levar no bom sentido que isto acarreta algum peso) foi em 2012 aquando de Trials, onde a banda luxemburguesa ainda dava voz aos temas, coisa que foi deixada inteiramente de lado no novo trabalho ao qual se dão palavras por aqui. Digital Tropics é o quarto disco dos Mutiny On The Bounty, o primeiro inteiramente instrumental e onde se nota o cada vez mais largo espectro de influências de Sacha, Nicolas, Clement e Cedric  a ser esticado até ao hip-hop e à pop dos anos 80. Digital sai em Maio e foi-nos entregue hoje a estreia em vídeo para a faixa que apresenta o disco, “MKL JCKSN”… olha os 80s a espreitar. Um verdadeiro repasto visual 70’s retro e a homenagem ao mítico Soul Train (programa de televisão norte-americano que existiu entre 1971 e 2006 reservado ao rhythm and blues, soul e hip hop) acompanham uma brutalidade dançante de virtuosismo técnico e de grooves vindos um pouco de todo o lado.

alec peterson sig

 

 

 

Mutiny On The Bounty Cov