O sueco Gus Ring prova ser um dos mais iluminados mensageiros da dreampop acústica com o lançamento de “Swim”, tema que constará do álbum Hypnoseas a sair em Abril do próximo ano pela editora independente Daughters And Sons. A aventura começou há dois anos com o seu primeiro disco, de nome Boredomtapes, uma colecção de canções materializada inteiramente no quarto de Gus que, concebida pelo próprio de forma bastante orgânica e artesanal, manifestou-se como um exercício que serviu de teste ao feedback do público. Assim, nos meses seguintes, Ring concretizou uma digressão europeia que testemunhou o seu crescimento musical.

Foi nesse contexto do processo criativo, íntimo e privado, que se apaixonou pelas músicas de teor mais melancólico e pela fragilidade e honestidade das emoções mais efervescentes. A proximidade aos seus receios e desejos, e com ambientes construídos de sonhos, impulsionou Gus a continuar a compôr e a construir as suas histórias sob forma de canções. Para a criação de “Swim”, Gus Ring imaginou-se debaixo de uma torrente de água, submergido, numa situação em que não conseguiria respirar, apercebendo-se de que o homem jamais poderia viver – ou sobreviver -, por muito tempo nessa condição, embora, por outro lado, pudesse aprender a suster o próprio fôlego, aguentando, assim, por mais tempo nesse estado e que, com treino e prática, seria possível atingir resultados impressionantes face a condições adversas ao ser humano. Deste modo, e em apenas dois minutos mergulhados na voz plena de sabedoria de Gus, escutam-se palavras que se espetam na pele como agulhas: “minute by minute, hour after hour, day by day”, canta, e a aprendizagem, através da repetição, eleva os indivíduos a uma categoria mais próxima da imortalidade.

A própria duração da faixa sugere que o tempo é uma forma de medição muito relativa. Em certas ocasiões, dois minutos parecem correr, sem se dar por eles e, em outros contextos, dois minutos têm o ressoar da eternidade, como em “Swim”, no qual dois minutos debaixo de água actuam com um peso exacerbado, agoniando quem tenta ficar submergido por esse tempo. Resta aguardar que Gus Ring ofereça ao público mais faixas hipnóticas antes do lançamento do seu disco no próximo ano e porque não descobrir Boredomtapes.