Como se transforma um hino de estádio indie rock assombroso instigado por guitarras numa remistura épica de várias camadas de synths, localizada algures entre beats graves, tapeçarias atmosféricas e pingos de chuvas cintilantes numa vibrante reinterpretação electrónica de essência nocturna contemplativa e embalante sem nunca perder uma tendência que roça o dançável e o dub mas que nunca o chega a ser completamente?

Como se faz, e ainda para mais com a eloquência expansiva e luxuriosa do produtor australiano Naderi – que conta na sua já longa lista de remisturas nomes como Flume, Skrillex ou Ed Sheeran -, não sabemos, certo é que “Run For Cover”, um dos temas maiores e mais característicos da sonoridade dos The Killers em geral e do seu último álbum Wonderful Wonderful em particular, despiu-se das guitarras e de toda a atmosfera colossal e cercou-se de samples e uns yohs e yeahs de atmosfera urbana pelo meio num redesenhar quase baleárico que lhe vale a condição de banda sonora perfeita para os primeiros momentos do amanhecer depois de uma noite bem regada a house, dubstep e composições químicas talhadas para as pistas de dança.

Se é verdade que a reformulação de “Run For Cover” torna o tema quase irreconhecível – o refrão original cantado por Brandon Flowers não deixa que isso aconteça -, também é verdade que os novos castelos digitais construídos à sua volta o tornam numa belíssima e portentosa reedificação. Os The Killers lançaram Wonderful Wonderful, o seu quinto registo de estúdio, foi lançado em Setembro, um álbum que trará a banda a Lisboa no Verão como parte do cartaz do festival Rock In Rio.

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