Em Março de 2017, Kelly Lee Owens lançou o seu disco de estreia homónimo, um álbum que se faz de paisagismos electrónicos trabalhados tanto para o dancefloor da alma como para longas noite químicas de exaltação do corpo, uma trip inebriante de contemplação vidrada em beats e planos etéreos sonoros que se recomenda a descoberta ou o regresso.

Em Outubro, foi a vez de St. Vincent dar umas aulas de sedução de massas, avançando de forma pouco ou nada habitual para os desenhos sonoros digitais em vez do uso da habitual guitarra a que a temos vindo a associar desde o princípio da carreira. Annie Clark sava de mais um disco essencial na sua carreira sem desvirtuar em nada uma sonoridade que é inconfundivelmente sua. Os palcos viriam a provar que as guitarras continuavam a assentar que nem uma luva de vinil tanto nas mãos de Miss Clark como das novas músicas.

O primeiro single de Masseduction, “New York” – com certeza uma das músicas maiores do ano passado – foi a introdução em Junho de Annie para o disco que chegaria quatro meses depois e que, sem chocar, trazia a boa nova de uma mudança de sonoridade de St. Vincent. E é numa esquina da cidade que nunca dorme e a altas horas da madrugada, que Kelly se encontra com Annie para uma remistura.

Os pianos e a nostalgia de “New York” são agora arremessados para dentro de uma centrifugadora tecnoide, tornando aquilo que em tempos foi uma canção em uma ode ao corpo, ao suor e a salas de pedra e calor sob os ritmos tóxicos de um strobe. Sob a remistura Kelly Lee Owens conta que

‘You’re the only motherfucker in this city who can handle me’ – I could already hear the potential for a club track / drop at that moment…so to work on this remix was pure joy!! I wanted to show another side to Annie’s work, perhaps a littler darker, harder edged & show its potential to have life in the dance world.