Passados quatro anos desde a onomatopeia de Quack, os patinhos oriundos do lago musical de Leiria estão de volta aos discos com Love Is You And Me Under The Night Sky. Com um intervalo de tempo tão distante entre os dois álbuns, pairava no ar um sentimento de curiosidade para com a direcção que o jovem quinteto iria seguir para com o novo trabalho; a fórmula “indie-rock meets teclados” com que se apresentaram ao mundo era a sua mais valia e fazia com que se distinguissem das outras bandas portuguesas que, tal como os Nice Weather For Ducks, ainda estavam a emergir no panorama musical português. Contudo, este mesmo bilhete de identidade é de certa forma caducado em Love Is You And Me Under The Night Sky, onde as músicas outrora enérgicas como “Bollywood” e “Little Jodie” deixam de constar no repertório da banda para dar lugar a temas tanto vivazes como melancólicos, tudo isto conciliado de forma a usufruir do melhor que estes dois mundos têm para oferecer.

De um modo geral, ‘amor’ é a grande mensagem que os Nice Weather For Ducks tentam transmitir em Love Is You And Me Under The Night Sky e, tal como essa emoção desperta, há um constante sentimento de mudança ao longo do disco. Esta, apesar de estar destinada às consequências que a paixão causa no ser humano, pode ser interpretada de uma mensagem subliminar de como a banda cresceu, evoluiu, mudou: os jovens que tocavam malha após malha numa garagem até darem fruto a Quack não são os mesmos dos dias de hoje. Estamos perante um grupo de adultos que encontra na música um getaway, uma dimensão paralela de onde se podem refugiar dos típico problemas desta idade e criar as suas próprias terapias, pelo menos a nível sentimental. A dificuldade para com a superação destes problemas, ou mesmo em identificá-los, permite ao ouvinte que tanto “Untitled Love #1” e “Untitled Love #2”, mesmo não tendo um nome que as identifique logo de início, tornam-se nos grandes destaques e aquelas que marcam o disco.

Explorando com maior detalhe as restantes frustrações presentes no álbum, apenas três podem ser consideradas detentoras da proeza de apresentarem um sonoridade (ligeiramente) semelhante à de Quack: “Marigold”, “Cosmic Car” e “On The Sand By The Sea”. Contudo, nota-se uma tremenda evolução na maturidade a nível lírico, voltando a tocar no aspecto da ‘mudança’; estas músicas, um pouco mais para o ‘mexidas’ quando em comparação com o restante disco, transpassam a ideia de que o amor é um refinado bolo de pastelaria onde são necessários ingredientes como ‘raiva’, ‘felicidade’, ‘tristeza’ ou ‘desejo’ em igual quantidade para atingir o ponto. Em Love Is You And Me Under The Night Sky a ‘melancolia’ é aquela que predomina, mas são esses temas de ‘alegria’ que permitem que o ouvinte não caia em jejum.

Para o culminar, há um grito de revolta na forma de “Punch” para simbolizar o fim de todas as frustrações e o início de um amanhã melhor recorrendo, para tal, ao tema mais longo da carreira dos Nice Weather For Ducks, onde ‘tristeza’ e ‘felicidade’ dão as mãos e aceitam-se como cúmplices para originar um longo clímax para erradicar todas as dificuldades dos cinco de Leiria. “Punch” significa muito mais do que uma mera canção, é uma ode a Joy Division: “o amor pode separar-nos, mas haveremos sempre de acabar juntos.”

Love Is You And Me Under The Night Sky não era, de todo, o disco que tínhamos em mente que daria continuidade ao percurso iniciado em Quack, mas quem não gosta de uma (bela) surpresa? Esta súbita mudança na sonoridade dos Nice Weather For Ducks representa evolução, crescimento e, acima de tudo, o amor pela música. Que para a próxima, não sejam quatro anos a separar-nos.