Trent Reznor desde há muito, que se assumiu e definiu, como figura maior do anti-establishment, anti-industria, dedos na feridas todas e, entre muitas outras coisas, alguém em quem confiar cegamente no que toca a não esperar nada menos que a excelência. A isto juntamos agora que Trent é um homem de palavra e que cumpre as suas promessas.

No final do ano passado, o génio criativo por trás da máquina de guerra e de sonhos apocalípticos dos Nine Inch Nails, prometeu música nova e em Outubro respondeu a um comentário de um fã no Instagram com um “2016 is not over yet” que deixava efectivamente a porta aberta para as tais novidade sonoras e em entrevista à Rolling Stone na semana passada deixou bem claro que as suas palavras nunca são vãs e são para tornar realidade.

 Those words did come out of my mouth, didn’t they? Oh, yeah, it’s December, isn’t it? Just wait and see what happens.

E como quem espera sempre alcança amanhã há disco novo de Nine Inch Nails e chama-se Not The Actual Events. Não é um longa-duração mas sim um EP e uma das muitas novidades que Reznor anuncia todas de rajada. Quem diria que havia um espírito natalício nos genes de Trent.

Oficialmente o relacionamento com Atticus Ross, com quem tem partilhado as pautas de várias bandas-sonoras entre as quais a do muito recente documentário Before The Flood para a National Geographic, estende-se ao objectivo criativo supremo e Atticus passa a membro efectivo e pleno dos Nine Inch Nails. Ficamos a aguardar por amanhã para descobrir qual a identidade que a longa colaboração entre Ross e Reznor pode trazer aos Nails mas pelas palavras de Trent Reznor vem lá um novo pesadelo e uma viragem no som que ambos têm vindo a produzir.

It’s an unfriendly, fairly impenetrable record that we needed to make. It’s an EP because that ended up being the proper length to tell that story.

Mas há mais. Além dos cinco originais que constroem Not The Actual Events EP, os Nine Inch Nails recuperam The Fragile que é reeditado em formato box com TRINTA E SETE instrumentais, versões alternativas e inéditas, todas elas revistas pelo olhar tanto de Trent como de Atticus.

The Fragile occupies a very interesting and intimate place in my heart. I was going through a turbulent time in my life when making it and revisiting it has become a form of therapy for me. As an experiment, I removed all the vocals from the record and found it became a truly changed experience that worked on a different yet compelling level.

“The Fragile: Deviations 1 represents Atticus and I embellishing the original record with a number of tracks from those sessions we didn’t use before. The result paints a complimentary but different picture we wanted to share.

The Fragile: Deviations 1 faz parte de um projecto de reedições da obra NineInchNailiana. Reznor reinventa-se e reenvia-se para o seu estado mais puro mais uma vez tanto a si como a toda a sua obra.

We want to present the catalog as it was intended to be, with no compromises. That means a careful remastering of the audio from the original sources, a painstaking recreation of the artwork, pristine materials, some surprises and an insane attention to detail that you probably won’t notice…but it matters to us. No extra bullshit and gimmicks – the ‘real’ records in their truest form.

Se ainda não estiverem satisfeitos temos para entreter até amanhã uma música de natal de Nine Inch Nails. Pois é, leram bem. Uma música de natal. Mas não, não é uma canção de Natal de Trent mas sim uma investida louca pelo colectivo de comediantes Bad Gods já há alguns anos onde os clássicos de Natal se fundem em “Head Like A Hole”, “Hurt” e “Closer”. It’s just creepy entertainment e nós adoramos. I wanna fuck you like an animal com sininhos e coros de criancinhas amorosas do inferno e os Nine Inch Noels.

Até amanhã, Trent e Atticus.