Estamos fartos de frases motivacionais publicadas no Facebook, não estamos? Ah e tal, eu faço e aconteço; sejam vocês próprios e tal ou não deixem que sejam os outros a coiso, e por aí. A velhinha expressão “coisas que não passam do papel”, poderia muito bem ser reformulada para “coisas que não passam do meu wall ou timeline ou lá o que é”. Não para Marcus Haney. Um miúdo (vinte e poucos anos e melómano) que se infiltrou, com arte (incluindo falsificação de pulseiras para entrar nos recintos e cartões de press para aceder aos pitts e backstages) nos maiores festivais de música do mundo, como Coachella e Glastonbury. Chegou a sacrificar amizades e os estudos da faculdade, num empenho cego e resoluto. O resultado? Um documentário que vai muito além do habitual behind-the-scenes. Porquê? Porque entretanto, três das bandas que ele mais amava viram algumas das suas filmagens e convidaram-no para acompanhá-los nas suas digressões. Há material nunca visto dos Mumford And Sons, Skrillex, Jay Z. e muitos outros!

Claro que a MTV não podia deixar isto por aí, à deriva. Agarrou-o com unhas e dentes, como certamente o espectador se agarrará ao ecrã. Vale a pena sair da caixa, filmar como se nunca se tivesse aprendido, fazer como nunca foi feito. Foi isso que levou um Vincent Moon onde está hoje. E não era tão novo quando começou nestas lides. Há esperança na Humanidade. Daquela que ultrapassa as fronteiras do Wall ou do Timeline ou lá o que é de cada um!

nuno miguel dias