Nocturnal Sunshine, a.k.a Maya Jane Coles, faz música para pessoas com substância(s). Pessoas sem substância(s) deixarão escapar, por ventura, algum do encanto e da miríade de visões que “Take Me There” poderá trazer. Ou não. Independentemente disso, o tema consubstancia-se numa electrónica que transpira o suor de armazéns abandonados em lugares distantes – ou secretos – ornados por strobes verdes – ou de outras cores, dependendo da natureza da(s) substância(s) – ou a brisa das planícies secas do interior alentejano em pleno Verão em eventos cabalísticos e underground por todos os poros em vocalizações difusas e distorcidas que lembram remotamente o grime de Grimes e que aqui se agasalha num invólucro house bem mais tribalista, negro e dubstep.

Não sabemos para onde nos leva o álbum de estreia epónimo da britânico-japonesa; apenas que nos chega a 25 de Maio e que promete puxar o lustre do sol das noites quentes realçando e enaltecendo, paradoxalmente, a sua negritude.

rosana rocha sig