North Atlantic Oscillation - The Third Day
70%Overall Score

Não interessa que dia é, se é o primeiro ou o terceiro dia da oscilação; os primeiros vinte segundos advêm algo de bom, como diria o outro Simon “This is exciting!!!”, onde quer que seja, nas grandes planícies ou num pequeno lugar agradável. A lembrar um pouco o primeiro bafo depois de se estar em coma, mas menos forte, um bafinho agradável, sem mau hálito, sem feios, porcos e maus ao fundo da rua, mais pasta medicinal porque poderá andar na boca de toda a gente.

Metáforas e metaforinhas à parte, este terceiro dia da oscilação do norte atlântico é como uma longa viagem, tediosa e bonitinha, inesquecível por certo, mas por outro lado a deixar tanto por ver, ouvir e sentir. Tenho saudades de ser surpreendido, tenho saudades de ouvir algo que me deixe de boca aberta ou de cabelos em pé, e se este The Third Day me deu esperança ao início, rapidamente foi substituída por uma sensação de mais do mesmo, de que já vi este filme, “olha aqui aquela cena do outro dia”, “olha ali o gajo da outra série”. Mas, quando a aceitação reina, lá surge de novo aquele som, aquele sentimento, aquele toque de Floyd, aquele toque de uma década longínqua, mas só na porção suficiente que te prende a este dia. E volta-se à longa viagem pelo atlântico norte, com demasiado tempo e pouca coisa para fazer. Amorfos são os Deuses nesta terra, tudo muito certinho, tudo muito arrumadinho, tudo muito regulado, contido. A precisar desesperadamente de pita tola com o rabo de fora a espantar escandalosamente a dondoca de boca aberta tapada pela mão enriquecida pelos anéis de ouro com calhaus enormes que reflectem a luz excessiva deste lugar. Que acabe o dia rápido, que venham os morcegos, os ratos e as melgas, e que tragam a variedade, o chocante e as conversas banais sobre temas inimagináveis.

Estes North Atlantic Oscillation oscilam, oscilam, mas não me convencem, são oscilações contidas entre o bem e o mal, e às vezes é preciso conhecer-se o mal para valorizar o bem e vice-versa. Parece um mundo utópico, onde a música é sempre assim, onde ninguém se interroga, onde todos aceitam naturalmente o normal, o tédio do normal e a normalidade que os enlouquece. Mas calem-se aqueles que acham que os loucos não são normais. E calem-se aqueles que oscilam sem se mexer. E calem-se aqueles que não acreditam em ideias inconcebíveis. Há grandes pós e pinos que ainda mexem. E oscilam. E valem a pena ouvir. Em tom de noite, bebe-se bem quando não há mais nada ou quando chove demasiado para se mudar, tem um paladar requintado e quase perfeito em determinadas inclinações, imperceptíveis para os dias que correm, de difícil consumo rápido e de impossível consumo lento, beba-se com moderação. Saúde.