Depois de um hiato de onze anos, Emily Haines regressa com os Soft Skeleton. Haines, que é membro dos Broken Social Scene e a cara dos Metric, já havia lançado discos em nome próprio, dando corpo à sua actividade de compositora, algo que nunca deixou de fazer mesmo integrando outras bandas. No entanto, a sua estreia discográfica com os Soft Skeleton, Knives Don’t Have Your Back, datava de 2006 e apenas o EP What Is Free to a Good Home? se seguira, em 2007.

O disco novo, Choir Of The Mind, tem edição marcada para dia 15 de Setembro, mas aparentemente vem a ser preparado há muito: o primeiro single, “The Fatal Gift”, lançado em Junho, já tinha sido disponibilizado numa versão diferente, em Dezembro de 2014, no site dos Metric, como devidamente noticiado na altura do seu lançamento. Como essa versão antiga já permitia perceber, o novo disco assinalará um regresso aos ambientes mais intimistas, apesar das variações que definem esse primeiro avanço, onde há espaço para uma secção rítmica a lembrar vagamente a parceria de Haines com James Shaw nos Metric.

“Planets” é a segunda canção de avanço para o álbum, disponibilizada juntamente com um vídeo, e difere de “The Fatal Gift” apenas na constância estrutural: onde no primeiro single se permitiam variações, aqui apenas a voz de Haines se eleva acima do piano que constrói a melodia; os dotes vocais da cantora brilham em “Planets”, mesmo sem os artifícios que estamos habituados a ver acompanhá-los, quer nos Metric quer nos Broken Social Scene – que também regressaram este ano aos discos depois de sete anos de ausência.

O vídeo segue a simplicidade musical, e, num plano fixo único, podemos ver Haines (às vezes duas imagens dela, quando o plano é sobreposto) caminhar até aos limites do espaço confinado onde se encontra; os limites desse espaço coincidem com os limites do próprio plano, não permitindo que a cantora se mova para lá da estrutura imposta pelo enquadramento. Tal como no vídeo, na própria canção Haines apenas se move dentro dos limites impostos pela estrutura musical, permitindo que a sua voz seja confinada mas não subjugada.  Antecipando o disco, fica a ideia de que onze anos depois, Emily Haines voltará a brilhar sozinha, como intérprete e compositora.