Recorrendo a uma iniciativa de marketing digital que roçou a genialidade nascida na intersecção do live video do Facebook com as Instagram Stories, o NOS Primavera Sound revelou de uma só vez, como manda a boa tradição do festival, o cardápio de artistas que se irão deslocar ao Parque da Cidade do Porto entre os dias 8 e 10 de Junho.

E, como também já é hábito, o ecletismo reina num cartaz que consegue ir desde o rock mais pesado ao hip hop, passando pela electrónica – dançável ou experimental e abstrata -, sem esquecer uma pitada de soul. Tudo muito bem incorporado na grande e cada vez menos definida “tenda” da música alternativa.

Assim sendo, e sem pretensões de absolutismo – até porque se prevê sempre uma ou outra alteração no line up até Junho -, aqui fica uma selecção, em ordem arbitrária, dos nomes que nos fazem desejar que o Inverno passe rapidamente.

15 concertos que não vamos querer perder

Run The Jewels

Palavras para quê? O que começou como uma colaboração paralela aos projetos de Killer Mike e El-P rapidamente se transformou num dos grupos mais relevantes do hip hop atual. Estiveram no NOS Primavera Sound em 2015 e voltam na 6ª edição com novo trabalho: o antecipado RTJ3 foi editado de surpresa no dia de Natal. E que prenda.

 

Death Grips

Se há premissa clara em relação aos Death Grips é a de que ninguém fica indiferente ao seu trabalho: é amor ou ódio, e não há lugar para meio termo. O que não deixa de impressionar é a base de fãs incrivelmente devotos que o trio tem vindo a acumular, dada a sonoridade tão out there que praticam.

Imprevisíveis e incendiários ao vivo, o grupo formado em Sacramento, Califórnia há meia década é uma autêntica máquina trituradora de géneros, desde punk e post-hardcore, à electrónica e glitch music (já alguém lhe chamou pós-hip-hop?) Antes de se lembrarem de anunciar a despedida novamente – enquanto for infrutífero, não é grave -, o melhor é vê-los ao vivo assim que puderem.

 

WAND

Se estão a desesperar por Ty Segall não ir ao Porto – este ano fica-se por terras mais a norte -, podem acalmar as vossas alminhas psicadélicas: os Wand estão cá para nos electrificar os ouvidos com muito fuzz fresquinho e pôr o mosh pit a ferver. Forjados nas mesmas águas garageiras da costa oeste dos EUA que Meatbodies, Thee Oh Sees ou os Fuzz precisamente de Segall, o quarteto nasceu em 2013 e editou três álbuns em pouco mais de um ano (!). O mais recente, 1000 Days, reflecte uma ligeira mudança para um som mais influenciado pelo psych clássico, sem medo da experimentação “fora da caixa”, embora o nervosinho rock continue todo lá. Apesar do crescimento rápido, esperamos que andem cá por muitos anos, pois são sem dúvida uma das propostas mais interessantes deste Primavera.

 

Skepta

Num pólo musicalmente oposto aos californianos Wand surge Skepta, ou mais uma prova da incrível variedade de artistas que o Primavera acolhe. Figura de ponta da cena grime, o produtor e MC traz consigo Konnichiwa, o longa-duração editado em Maio que lhe deu projeção internacional sem precedentes no género, culminando na atribuição do prestigiado Mercury Prize. Espera-se hip hop de alta intensidade com sotaque britânico, ao qual nem os pés mais bem assentes no chão deverão resistir. O fato de treino é opcional, mas recomendado.

 

Pond

Será do sol que apanham na moleirinha? A picada de algum mosquito estranho? Não sabemos, mas a verdade é que nos últimos anos a Austrália tem sido o berço de um número considerável de bandas com alta concentração de psicadelismo. Na crista dessa onda estão os já experientes Pond, que em 2015 estiveram pelo Vodafone Paredes de Coura, onde deram um concerto incrível mas incrivelmente curto.

A pujança vibrante do grupo deixou-nos a salivar por mais e, portanto, o palco que os receber será ponto de paragem inevitável em Junho. Ainda por cima com música nova já no início deste ano.