Noya Rao é uma planta sagrada e rara, usada em rituais pela tribo peruana dos Shipibo e que cresce na bacia do Amazonas. Reza a história que apenas três exemplares foram encontrados até hoje e que depois de colhida, as suas folhas brilham no escuro. E é precisamente no escuro que a música do quarteto de Leeds, Noya Rao, brilha mais forte.

Os britânicos cantam canções de linhagem jazzística, mas não se pense que paira por aqui uma sensibilidade tradicional. Há uma sensualidade soul, frágil e noir, que se embrulha naquele tom essencial de sedução constante que as canções de pendor electrónico mas ligadas à soul podem e devem ter. Os Noya Rao não falham de todo em nenhum desses aspectos, para além de lhes acrescentarem detalhes experimentais tão subtis como impactantes.

A banda de Olivia Bhattacharjee, Tom Henry, Jim Wiltshire e Matt Davies lançou em Novembro do ano passado o seu o disco de estreia, Icaros, mas a velocidade alucinante do mundo moderno acabou por afundá-los e escondê-los em algoritmos e outros ritmos. O primeiro passo em forma de álbum do quarteto inglês foi editado pela Gondwana Records – casa, por exemplo, dos Portico Quartet -, e recebe agora o vídeo para “Azymuth”.

A canção que dá som às imagens do segundo vídeo (o primeiro foi para “Golden Claw”), flutua de forma subaquática nas filigranas escritas a teclados como se os Morcheeba, Thievery Corporation, Nightmares On Wax e Jill Scott se fundissem para criar uma sereia trippy e acid. O vídeo é realizado por Rich Williams que trabalhou anteriormente com os The Durutti Column, Chloe Foy e os companheiros de editora dos Noya Roa, os Mamal Hands, e do designer gráfico Daniel Halsall. Tudo para descobrir em baixo.

Noya Rao - Icaros

Noya Rao – Icaros