Continuando na onda noir que tinha sido avançada com a divulgação de “Exhumed”, Zola Jesus lançou esta terça-feira “Soak”, segundo single do novo álbum Okovi. Depois de se ouvir o primeiro single no início do mês passado, ficou claro que o repertório de Zola Jesus para este sexto trabalho de longa-duração seria mais carregado, mais refletido, e que representaria uma abertura ao público para os pensamentos mais negros e pesados de Nika Roza Dalinova, artista de ascendência eslovena, ucraniana e alemã.

Tendo sido confrontada durante a elaboração deste novo trabalho com casos de pessoas muito próximas de si a lutar pelas suas vidas e, em simultâneo, a lutar pelas suas mortes, estes dois temas aparentemente opostos acabaram por tornar-se centrais. Zola Jesus alimentou-se dos seus traumas pessoais, dos seus problemas e dos problemas dos seus para construir um álbum catártico de onze músicas repleto de sonoridades sombrias e exploratórias que dão voz às experiências de tragédia de uma forma muito pessoal.

Okovi – palavra eslovena para “correntes” – reflete maioritariamente a existência de ligações inquebráveis não só entre todos nós, mas também entre tudo na vida: o álbum é negro, mas não renega a presença da luz; admite não ser possível falar de morte sem falar de vida, que não se pode falar de perda sem mencionar reconciliação. “Soak” é, portanto, o passo seguinte nesta descida aos confins da mente da artista. Este segundo single é uma história, contada na perspetiva de uma vítima de um serial killer prestes a ser atirada à água para se afogar. Zola Jesus revela ter tentado perceber quais seriam os potenciais últimos pensamentos da vítima e vocalizá-los: “Ela olha para trás, para o passado e a futilidade das suas escolhas, quando, no fim, a sua vida foi terminada contra a sua vontade”, afirmou a artista.

Numa perspetiva mais abstrata, Zola Jesus questiona-se sobre os limites do controlo da vida que cada pessoa tem sobre a sua própria existência, quando alguém não tem escolha sobre a sua morte. É precisamente aí, nesse cruzamento de pensamentos, que a música se altera e toma um rumo diferente, inesperado: em vez de se deixar ser assassinada, a vítima volta a ganhar controlo e poder de decisão, mas não ao lutar: ao deixar-se levar, ao escolher a morte, transformando efetivamente o seu assassinato num “suicídio assistido” pelo serial killer quando a vítima é atirada à água. “Ao escrever esta música, a história evoluiu dentro de mim e apercebi-me como reflete os meus próprios sentimentos”, confessou Zola Jesus.

Produzido novamente pela editora Sacred Bones, Okovi sai a 8 de Setembro e contém contribuições de Alex DeGroot –  desde sempre colega de palco de Nika -, o produtor WIFE, a violoncelista Shannon Kennedy dos Pedestrian Deposit e Ted Bynes, percussionista que trabalhou já com nomes como Charlemagne Palestine e Psychic Temple.

Okovi
01. Doma
02. Exhumed
03. Soak
04. Ash to Bone
05. Witness
06. Siphon
07. Veka
08. Wiseblood
09. NMO
10. Remains
11. Half Life