Os Dirty Projectors de David Longstreth, Amber Coffman, Haley Dekle, Nat Baldwin, Olga Bell e Michael Johnson vêm comprovar que o r&b, aquele que se faz com laivos experimentais e uma dinâmica sonora distinta pode, ainda assim, ser entregue de forma delicada e, este caso, a banda revela um novo tema sujeito ainda a uma infindável lista de adjectivos que em grande parte não fazem justiça à sonoridade criada pelos norte-americanos. Mas torna-se, muitas vezes, necessário deixar os rótulos de lado e aqui o foco passa pela vivência da nova composição da banda que leva o título de “Litte Bubble”, tema em que David Longstreth estende a sua voz como se fosse feita de uma matéria plástica, maleável, profundamente ágil e preenchendo todos os espaços possíveis.

Em actividade desde 2002, o grupo tem seguido um percurso algo alternativo, mas não descurando a fiel base do r&b e, num certo sentido a voz de Longstreth, juntamente com os instrumentos que a acompanham, parece ainda entoar uma música de embalar, unindo elementos que, à partida, parecem díspares mas que, nesta receita bem pensada, geram composições arrepiantes. O vídeo remete para a respectiva letra do tema reflectindo uma espécie de metáfora para o planeta Terra enquanto bolha frágil, num universo tão desertificado quanto moribundo e vazio, seguindo a linha da curta Hi Custodian, realizada por Longstreth e Adam Newport-Berra.

Entre a imagem de um pássaro morto e o colapso entre o tempo e a sua medição, entre a vida e o seu fim, entre as ‘bolhas’ que circulam, de facto, pelo planeta, as que se vêem e as que não se vêem e uma apurada melodia embrenhada em ramificações digitais, com uma batida que, depressa, permanece nos ouvidos, desponta um tema que arrepia e cuja experiência apetece repetir.

A banda de Brooklyn reflecte, assim, de forma sensível e honestamente crua sobre todas as bolhas inomináveis por esse mundo fora. Entre o indivíduo e a sociedade, entre o contacto directo, humano, e as tecnologias, entre os escudos (protectores) que cada um desenvolve em torno de si e, através da música, existe, de facto, uma chamada de atenção.

Por agora, enquanto “Little Bubble” fica por aqui em loop, fica também a esperança que talvez possa abrir caminho para um novo álbum.

We had our own little bubble for a while