Drop me off at the Copacabana
You my one true love, aren’t you man, ah…

I’m your little super 8 movie

Lana, Lana… obrigada por nos ires dando estes presentes, quando o calor estala e os ouvidos precisam de renovar o que escutam. Chegou-nos uma ‘nova’ música, através do Youtube, capaz de encantar as viagens por qualquer zona costeira ou de embalar os corpos nas camas de rede. Discreta aparição, mas de alcance profundo, os 4 minutos que parecem ser uma adaptação da “On Our Way”, música gravada em 2010 e oferecida ao público em 2012, confirma que a essência de Lana, pela sua responsabilidade, não se perde jamais. As semelhanças são bem evidentes e é já um hábito seu remexer nas próprias criações.

Outra tendência sua é a utilização de frases idênticas em músicas distintas, renovando a impressão que temos das palavras e conseguindo criar, para cada nova obra, por mais pequena que seja, um ambiente intenso, denso, por vezes tenso. O universo não conhece limites com Lana.

Del Rey é perita em gravar músicas sem as tornar oficiais, tendo um repertório bem preenchido, sobretudo quando recorremos ao seu museu musical, engavetado no Youtube. E nem temos de pesquisar com muita profundidade para encontrar músicas que foram lançadas na internet com ou sem o seu consentimento mas que funcionam como guloseimas inesgotáveis para os fãs.

Mais importante que as origens ou contextos desta música é o facto de, novamente, nos enfeitiçar e nos deixar em êxtase. Também não importa muito se é uma versão demo, já que mesmo sem os arranjos e os tratamentos de grande porte, as versões mais simples ganham com Lana uma potência extrema, um acto que, em tudo, nos envolve numa viagem de máquina do tempo. O seu inventário remete-nos frequentemente para uma figura da década de sessenta, a tentar viver a vida, com o que os sonhos têm de bom e de perigoso, na sua persona que se distribui em vários capítulos.

É preciso recordar que aquilo que recebemos é o que nos dá, e o que lemos e recebemos não é necessariamente o que Elizabeth Grant será. O bom de Lana del Rey é que, tantas vezes, é o que queremos que seja, na nossa visão e na forma como a nossa alma recebe as suas melodias, insolentes e agridoces, e a sua voz, que irrompe sempre devoradora.

Desta forma é realmente labiríntico compreender se é suposto estarmos num mood feliz e despreocupado ou, ao invés, sermos absorvidos por ondas enormes de nostalgia, quiçá até de coisas que não vivemos ou conhecemos. As hipóteses multiplicam-se mas o replay está encravado em Honeymoon, de 2015. Os sinais vão circulando por aí.
Que não tenha pressa, sim, mas que não perca tempo, por favor!

Spin me around kiss me in your Chevrolet
I love you more with each and everyday
It’s finally time to make a safe get away
I love you baby