A segunda paragem na linha de City Music de Kevin Morby – o quarto disco do ex-Woods -, é um sincero convite do norte-americano à entrada num dos vagões da composição que atravessa as cidades norte-americanas em jeito de lhes prestar tributo, não só a elas como também às pessoas e momentos que desenham o  xadrez das ruas e da memória, e aos grandes escritores de canções de uma grande América urbana. City Music é o outro lado do espelho do anterior disco de Kevin, Singing Saw de 2016 que, ao contrário do novo longa-duração, cantava a zona rural dos Estados Unidos e a busca do equilíbrio urgente de Kevin em cima da balança da americanidade que trespassa a sua obra.

“Aboard My Train”, o segundo tema a sair do novo disco, é um claro convite à construção de novas memórias. Partindo da posição ingrata e errante da vida de músico e da constante mudança de cenários e de actores, Morby faz um hino de adaptação e celebração aos finais e reinícios constantes.

Doing what I do, people are constantly coming in and out of your life. The moment you think you’ll never see someone again, they reappear and that’s what this song is about starting with my first best friend, Pablo, who lived on my street in Tulsa, and was my first memory of having a best friend.

Uma canção com ecos de Springsteen e Dylan que desenham a letras gordas as recordações dos rostos, dos nomes e dos sítios que formam as nascentes frescas da criatividade do músico texano. O vídeo, feito pelo próprio, é um exercício lo-fi com um pincel e um espelho ou, usando as suas palavras, “kind of missed the challenge of having to come up with something creative with little to no money”. Missão cumprida, Kevin.

City Music sai a 16 de Junho pela Dead Oceans e Kevin Morby toca a 13 de Julho no Super Bock Super Rock.