O som dos Tender faz-se num cruzamento entre um r&b contemporâneo e uma electrónica visceral; soa orgânico, sem truques banais como o autotune e cozinha em fogo brando com o uso farto de sintetizadores de timbres vintage e amadeirados – climas aquecidos por Cobb que fazem a cama perfeita para Cullen desfilar a sua voz sexy e semi-sussurrada. Talvez Terence Trent D’Arby soasse assim atualmente, se estivesse musicalmente vivo.

A canção mais recente dos Tender, “Machine”, deixa isso muito claro e perceptível: há uma panóplia de beats programados e teclados precisos, numa faixa que cresce devagar, explode num refrão memorável e que funciona igualmente bem tanto na celebração da pista de dança quanto na solidão do conforto do sofá da sala. O vídeo, que sugere o vazio existencial e a futilidade dos prazeres transitórios da vida moderna que tomam conta de boa parte da geração atual, retrata bem a letra, cujo refrão sentencia:

You cut me open, and pull me apart
A hollow chest instead of a heart.

Os Tender seguem assim pavimentando solidamente o seu caminho até ao seu primeiro álbum. O misterioso duo londrino, formado em 2015 pelo vocalista e multi-instrumentista James Cullen e Dan Cobb – se que ocupa dos sintetizadores – prepara-se para lançar o debut Modern Addiction no dia 01 de setembro pela britânica Partisan Records. Os britânicos tinham já dado a conhecer “Nadir” e “Erode” – dois dos temas de avanço que estarão também presentes no disco.

Lê tambémO electro-r&b atmosférico e quente de “Nadir” e “Erode” dos londrinos Tender

A expectativa gerada até agora pelos três EPs editados e mais algumas faixas disponibilizadas de forma independente pela dupla aponta para um trabalho quase totalmente inédito, levando-se em conta o alinhamento do álbum, já divulgado. Sério candidato a revelação do ano.