Há um provérbio sueco que aconselha “não deite fora o balde velho até que você saiba se o novo segura a água”. Talvez isso explique a revisitação dos The Mary Onettes, banda desse mesmo país nórdico, à sonoridade oitentista. A receita é relativamente simples: uma atmosfera dreamy recheada de sintetizadores e reverb.

Tal fórmula retoma à cena em “Cola Falls”, última música editada pelo grupo e primeira peça original desde o single “Juna”, de 2016. Na descrição do vocalista Philip Ekström, a canção “evoca o alto e inflexível som da água corrente”, e é batizada conforme uma cachoeira da cidade natal do compositor que, quando criança, ele imaginava fluir com refrigerante.

Num primeiro momento, o pulsante baixo de Henrik Ekström movimenta inconscientemente a cabeça do ouvinte, mas “Cola Falls” possui complexas camadas que, quando digeridas, revelam também angústia e sentimentos indesejados. O pop acessível entrelaça-se com o existencialismo e a introspecção, bebendo da fonte dos The Cure, neste aspecto.

Como lado B do single, os The Mary Onettes ainda gravaram “Wait Out A Ghost”, em que Ekström aborda também a escuridão, mas brada, em um tom mais otimista, claro está, a recusa em se “esconder como um estranho”. A canção possui menos apelo pop, mas demonstra sensibilidade e evolução nas composições dos suecos. Desconhece-se, por enquanto, se “Cola Falls”, editado via Cascine, fará parte de um lançamento discográfico futuro, ou se será apenas um one-off single.