“Mary Jane” foi fruto de muitas e longas noites de amor. Um amor imenso pela arte, pela música, pela experimentação. Um amor exploratório, entrelaçado com o sonho e o apetite voraz de desbravar novos territórios sonoros, novas constelações de objectos musicais, novos registos melodiosos e novas paisagens que resultaram numa impressão digitial sonora com o cunho de uma nova identidade. E tudo produto distinto de outros projectos com os quais se conquistou um lugar na imortalidade do cancioneiro nacional.

“Mary Jane” é a primogénita de Elotee, o single de estreia da banda formada por Pedro Sacchetti dos For Pete Sake a que mais tarde se juntou José Evangelista. “Mary Jane” é o mel dourado que se destilou de um mergulho em águas explorativas e que alinhavou a ambiência tecida por fios de soul quente e electrónicas suaves de uma canção rematada por um lado sombrio de ironia e tristeza em que se se nota, nota a nota, que é um trabalho de amor.

“Mary Jane” cresce ao longo de quase 3 minutos num vídeo realizado por André Gaspar e agiganta-se numa sensualidade lânguida que se insinua a cada curva da pauta onde foi criada. Se é certo que a esfera sonora incide sobre uns Glass Animals, um Chet Faker ou um James Blake, também é verdade que é identificável a experiência que os For Pete Sake aqui deixaram com algum do seu legado. Para ouvir, visualizar e sensualizar, as emoções despertas por “Mary Jane” dos Elotee.