Yuck - Stranger Things
63%Overall Score

O estranho mundo dos Yuck

Passados três anos desde Glow & Behold, os Yuck estão de regresso aos discos com Stranger Things. Estamos perante o álbum mais íntimo do quarteto londrino até ao momento, sendo o conteúdo lírico dos temas a maior prova deste envolvimento Strapessoal; muitas são as músicas que falam de experiências vividas, como sentimentos de solidão e as inevitáveis relações falhadas. De modo a enquadrar-se no temática do álbum, o cruzamento entre o indie rock e o noise rock dos Yuck é ‘abrandado’ para uma onda mais calma do que o habitual, embora haja algumas excepções.

“Hold Me Closer” e “Cannonball”, singles que antecederam o lançamento do disco, são dois pólos completamente opostos de Stranger Things. Enquanto que a primeira é um nítido exemplo da suavização que a sonoridade dos Yuck foi submetida para este álbum, atribuindo ênfase às letras, a segunda acaba por ser o ‘peixe fora de água’ no mar de Stranger Things: apesar de ser das músicas mais energéticas e frenéticas que a banda já lançou, reminiscente dos tempos do homónimo Yuck e quando Daniel Blumberg ainda estava na banda, a verdade é que a sua simplicidade lírica e a sua melodia agressiva desenquadram-no por completo do resto do álbum.

“Like a Moth”, “Only Silence” e “Stranger Things” retomam o caminho iniciado por “Hold Me Closer”. O som mais pacato destas três permite ao ouvinte absorver todos os instrumentos nelas presentes, algo não usual nas músicas electrizantes dos Yuck. De qualquer das formas, a melodia entre elas é tão pobre e desinteressante que acabam por se destacar como as mais fracas do álbum, não deixando grande impressão mesmo após uma mão cheia de audições.

Todavia, é na última parte do disco que se encontra o melhor que este tem para oferecer. É difícil não ficar rendido tanto à voz angelical de Mariko Doi em “As I Walk Away”, que assenta que nem uma luva à instrumental da música, como à veia de shoegaze que impulsiona vida em “Swirling” e “Yr Face”, três simples exemplos daquilo que os Yuck tencionavam alcançar em Stranger Things: letras profundas acompanhas por instrumentais suavizadas (não simplistas).

É esse mesmo o grande problema do terceiro longa-duração dos Yuck. A ênfase atribuída às letras, na tentativa de criar um álbum mais pessoal do que o costume, provocou, involuntariamente, um pouco de desleixo para com a parte instrumental do álbum. De um modo geral, Stranger Things tem grandes músicas, mas acaba por não ser um grande álbum devido à sua incapacidade de funcionar como um todo. Com apenas cinco anos de carreira, os Yuck têm tudo para crescer e, para tal, são necessários alguns trambolhões para ver o que falhou e o que há a corrigir pois, no final do dia, potencial é o que não lhes falta. Como se costuma dizer: ‘para a próxima corre melhor’.