Inovação. Dos primeiros bits às trilhas mais complexas, a música eletrónica ganha forma pelos diversos elementos que a compõem – a frequência de BPM, a escolha dos samples, o tratamento de voz e demais texturas a explorar. Em constante evolução, a tecnologia é hoje a mais forte aliada dos produtores na busca pela inovação, impulsionando artistas de todos os portes a navegar por mares até então pouco explorados. Muito se tem notado, por exemplo, a evolução estética como elemento essencial aos novos lançamentos na música pop. Neste caminho, artistas mainstream parecem buscar uma melhor qualidade musical para os seus trabalhos mais recentes face aos anteriores, arriscando mais; porém, dentro dos seus limites no compromisso com o popular.

Não tão longe, porém não tão perto, Henriette e Catharina, as meninas que dão corpo às Smerz, provaram e abusaram das distorções e contratempos que as levaram à sua primeira apresentação no Glastonbury Festival, a meio de uma tour que extendem da Europa à América do Norte, apresentando o elogiadíssimo Okey, EP de estreia da dupla apresentado em 2016. Na época, o trabalho foi considerado pela crítica “uma das melhores estreias do ano”, ambientalizado por influências que vão do chillout ao mais denso IDM.

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Celebrando sua nova parceria junto ao XL Recordings, label britânica independente de artistas consagrados como os Radiohead, as Smerz apresentam “Oh my my”, faixa produzida, programada e cantada inteiramente pelo duo, e que retém uma atmosfera marcada pelas batidas profundas, distorções e trilhas vocais provocativas e ares característicos do experimentalismo moderno que as caracterizam.

Norueguesas, Henriette e Catharina foram criadas na sua pátria natal, iniciando o seu projeto musical somente a partir da mudança para a Dinamarca onde, em pouco tempo, atraíram a atenção de rádios alternativas como a NTS e a Benji B. As Smerz, que misturam consistentemente sons de várias influências, são o resultado de uma colisão trabalhada de diferentes géneros musicais, produto do que foi incubado ao longo dos anos por salas noturnas e a respectiva evolução da música eletrónica.

No final de julho, as Smerz apresentam-se nos Estados Unidos para o seu primeiro conjunto de concertos pelo país. As suas atuações multisensoriais possuem formato live act, hipnóticas em imagem, luz e som, entregando uma performance de qualidade primorosamente fiel ao fonograma. Mulheres que ocupam, provocam, surpreendem.