Se nos falarem em música norueguesa ou produzida por artistas noruegueses, poderemos ter dificuldades em enunciar alguns nomes além dos Röyksopp, dos Team Me, dos Kings of Convenience de Erlend Øye que, para além de uma carreira a solo, faz ainda parte dos Whitest Boy Alive, e do DJ e produtor Lindstrøm, a Noruega é uma das cenas mais efervescentes no que toca a criatividade sonora. Escolhemos estes porque são alguns dos artistas noruegueses que sofrem do síndrome de culto em Portugal.

Jenny Hval também é norueguesa e um dos principais nomes femininos da actual cena do país. Engane-se quem pense que a música é apenas a principal ocupação desta trintona, natural da cidade de Oslo. A estudante de escrita criativa e representação na Universidade de Melbourne e literatura na Universidade de Oslo, tem também como paixão a escrita, seja de canções ou de romances e de artigos para jornais ou músicas para peças de teatro.

Musicalmente falando, Jenny começou por adoptar o alter-ego de Rockettothesky, com o qual editou dois álbuns. Mas é com a assinatura e interpretação de canções em nome original e pela editora norueguesa Rune Grammofon que lança dois álbuns, em 2011 e 2013, Viscera e Innocence Is Kinky, respectivamente. Com este último álbum a ser produzido por John Parish (PJ Harvey, Giant Sand ou Sparklehorse) consegue atrair o interesse das principais revistas de música internacional que assim lhe atribuem excelentes cotações nas suas análises. Destaque para o vídeo da canção que dá nome ao álbum, bastante explícito, a par da letra da canção em questão, e que podem conferir aqui.

Em 2014 lançou com a também cantora norueguesa, Susanna Karolina Wallumrød, um disco de título Meshes of Voice, em que a harmonia das suas vozes e uma mistura de géneros são o principal destaque. No entanto, é a sua carreira a solo que mais tem dado que falar, aliando o seu experimentalismo musical a uma voz perfeita que aborda, maioritariamente, temas como a sexualidade, o feminismo ou a política. Kate Bush e Jimmy Sommerville são algumas das suas principais influências.

No próximo dia 8 de Junho, Jenny Hval prepara-se para lançar o seu terceiro disco de originais, Apocalypse Girl. Desta vez com o selo da norte-americana Sacred Bones Records (Zola Jesus, David Lynch, Cristal Stilts). A capa do disco, tal como o seu alinhamento e primeiro single “The Battle is Over”, já foram divulgados e a canção já se encontra disponível para escuta aqui em baixo.

A artista vai estar a fazer a abertura dos concertos de St. Vincent e Perfume Genius durante o mês de Março em concertos pelos Estados Unidos e Canadá. Jenny Hval e a sua voz doce, aliada a uma pop experimentalista, promete definitivamente conquistar-nos.

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