Passaram-se 9 meses desde que Not To Disappear, o segundo álbum dos britânicos Daughter, nos chegou às mãos. Mas, só agora a banda de Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella revelou o tema “The End” presente, até então, em exclusivo na edição japonesa do disco.

Se Not To Disappear é a voz da perda, da solidão e da desilusão, “The End” é o grito desesperado e angustiado de quem se cansou de viver na loucura e encarou a morte como única verdade. “I don’t want to be escaping, no, i’m too busy moping around”, porque quem morre é enterrado, “but I have stayed awake since then.”

É entre lamúrios e epifanias que “The End” ganha a sua força. O fim é a primeira coisa a ser anunciada, anúncio esse entregue por uma voz doce que ecoa que “This is the end”. Diante de múrmuros e acordes de teclado cresce a batida e o bater do coração, salientando o sentimento de clausura que se vai abatendo. Mas é com a guitarra , seguida de calmaria silenciosa, que a voz de Elena rompe em agonia. As vozes vão-se multiplicando para a repetição “I’m too busy moping around”, que logo culmina na súplica,

Run home, I don’t like the words you say, run home, I don’t like what you’re doing.

Apesar de serem presença assídua nos palcos portugueses, os Daughter não têm nenhum concerto agendado para o nosso país como tal, “The End” não poderia ter vindo em melhor altura para matar saudades e dar as boas vindas aos dias mais escuros. Resta-nos, por isso, ouvir e repetir as vezes que forem precisas, para manter a banda por perto.