Abram-se alas para os ventos vindos do norte da Europa, desta vez, mais quentes e frescos para este verão. Ao fim de dois anos volvidos sobro seu primeiro EP, os Steps To Synapse – a banda que descobrimos no início do ano numa louca noite na Estónia, lançam The One, o seu disco de estreia e… é um mimo! Já nos tínhamos apercebido da boa onda que estes jovens oriundos de Parnü traziam consigo, mas aquilo que apanhámos em concerto é agora levado, em parte, para estúdio – ainda que, com alguma neve pronta a derreter à mistura – e partilhado para todo o mundo ver. Do EP Desires para este The One, assiste-se a um salto de gigante no som da banda. A cena underground desta pequena cidade está a crescer, o funk tomou lugar na pop soalheira e soltou a veia 80’s mais dançável do rock n’ roll. Sem eletrónicas, com pitadas de soul, doces melodias e distorções limpas, fazem saltar para a pista de dança. Mas eles estão só a começar.

“Roll The Dice”, para começar calmamente o disco, é um abano de anca sensual disfarçado num slow para sussurrar ao ouvido. Os dados estão lançados com esta música e o resultado conduz à fresca “Celebrate”, um dos primeiros singles lançados este ano, ainda antes do disco sair para as ruas. Esta música remete claramente para aquilo que é o verão para os lados nórdicos  – e não, não há só neve na Estónia -, com um surf rock à la The Beach Boys ligado a uns Franz Ferdinand na praia a fazer a festa. Música perfeita para ouvirem no início duma destas noites.

“New Limit”, serviu como cartão de boas-vindas para o mesmo. O single de lançamento dos Steps To Synapse é, literalmente e nas suas próprias palavras, mais “um novo limite, superarmo-nos todos os dias”. Aproxima-se do lado mais funky e irrequieto dos 80’s – Nile Rodgers e os seus Chic por ali – e com o saxofone especial de Henri Aruküla a acompanhar melodias e a remeter ainda mais à época – a fazer lembrar uns Men At Work ou Gerry Rafferty. A letra é de Karl Kevad, da banda electro-pop estónia The Boondocks, e segundo Ivo Leesar, vocalista dos Steps To Synapse, marca “um novo rumo em termos criativos e introduz uma nova vibe à música”.

“Leave Me Be” e “Be Here” seguem-se na ordem. Mantendo a ambiência 80’s, a primeira leva a banda vestir-se de esquadrilha Ghostbusters e ataca numa demanda afunilada perante o perigo, ao som dos Survive. Ao mesmo tempo que transpiram de juventude sónica por aqui, culminam numa balada a dois, minada da sensualidade que, por exemplo, os nossos Best Youth nos habituaram. A dupla lírica de Lisann Aljaste e Leesar funde-se de tal maneira que parecem ser feitas numa só. O mesmo acontece em “Painkiller”, mantendo a voz açucarada de Aljaste, num refrão orelhudo para tirar quaisquer que sejam as dores de crescimento. Principalmente quando temos alguém para as ultrapassar. Siim Siimer aproveita para mostrar a mestria e de que ainda há guitarristas a fazer solos que encaixam no momento certo em que a música precisa.

“Welcome To Reality” e “Gold Digger” – não, não é a música do Kanye West –, prosseguem a viagem rock n’ roll a puxar um pouco o seu lado mais glam e exótico. Principalmente “Gold Digger”, veraneante no norte, crua e irónica, mantendo os The Clash, era Combat Rock, lá no fundo. Do funk anterior para o soturno “Take Me Home”, tema que aparece habitualmente no alinhamento dos concertos da banda. Com o seu rock dançante e de gingar de anca bem assente, como Josh Homme tão bem nos ensinou. Os Queen Of The Stone Age e Black Keys pairam por estas bandas de tal forma que só nos apetece acompanhá-los. E se por um lado “Roll The Dice” é música para o início da noite, “Tell Me” – que provavelmente dá o nome ao disco com a catchy repetição de “the one I want” –, remata-a em beleza. Esta é o culminar das sensações que o disco nos deixa. O “passivo-agressivo” das relações, a intimidade e o desapego, o desejo e o desespero.

Esta é a forma que os Steps To Synapse encontraram para se mostrarem ao mundo e fica a certeza que ainda vão dar muito que falar daquele pequeno país a norte da Europa plantado. A sua juventude fresca e energética parece contrastar com o frio natural geográfico. É aqui que esta banda se distingue. É nesta abertura sonora, o lado exótico e vibrante da música que os fez crescer para o que se tornaram. Música directa ao assunto e pronta para não deixar ninguém quieto. Oiçam e perceberão.

Steps To Synapse

Steps To Synapse