Dis à la lune qu’elle vienne. Diz-lhe que ela se cobre de um manto pesado e tenso, tingido de negritude e sombras, e que com ele faz a noite ser sempre escura, sempre tenebrosa, sempre enevoada. Diz-lhe que ela dança e rodopia com o seu leque de penas pretas e opacas, gigantes, solenes, que seduzem, enfeitiçam, magnetizam e te consomem o brilho sempre que tentas iluminar as margens do Seine.

Dis à la lune qu’elle vienne. Diz-lhe que a sua presença torna o ar denso, espesso e irrespirável, e que num único trago te suga o oxigénio para um túnel exíguo, em que as correntes de electricidade se guiam por guitarras sobrepostas em muralhas herméticas que vão libertando, através dos mais ínfimos espaços de luz, descargas lânguidas e intensas de decibéis esfumados, carregados, foscos.

Os DDENT avisam de forma silenciosa a lua que a claridade tem os dias contados e que os diversos patamares de cinzentos introspectivos vêm para se instalar no seu mundo e no nosso. Proveniente de Paris, o quarteto composto por Louis, Marc, Nico e Vinz desenha círculos perfeitos, preenchidos por doom e post-metal, assentes em largas atmosferas sensoriais, manchadas de post-punk e pulso hipnótico.

Com nova aventura discográfica a ter o seu ponto de partida já já amanhã (23) – os franceses lançam Toro, o seu segundo álbum, pela Chien Noir -, os DDENT largam o tema “Dis à la Lune Qu’elle Vienne” acompanhado por um vídeo filmado em várias gradações de tons monocromáticos que descreve aos contornos das viagens emocionais, melancólicas e confrontacionais. O primeiro longa-duração da banda, آكتئاب, – ektiheb, que significa melancolia ou depressão em árabe -, foi editado em Fevereiro do ano passado e seguiu o EP de estreia, Chien Noir, lançado em 2013.