Se se pensava que Hopelessness, lançado em 2016, já era um portento em formato de álbum, então ANOHNI pensou trazer um EP – de seu nome Paradise -, à superfície da Terra, o que se vem confirmar como uma urgente chamada de atenção e uma urgente bofetada para sacudir os ânimos.

O EP acompanha o álbum e será lançado a 17 de Março pela Secretly Canadian/Rough Trade e, com a mudança de direcção musical a situar-se entre o electrónico e os instrumentais a puxar mais o lado digital, ANOHNI continua a contar com os produtores Oneohtrix Point Never e Hudson Mohawke na composição das canções, revelando-se estes fundamentais enquanto elementos que se reflectem como a sua base sonora.

Como tem sido também habitual, ANOHNI não se limita a partilhar composições. Em união máxima aos temas que disponibiliza neles aparece, constantemente, um statement sobre situações de debate público, entre o controverso e o imprescindível, seja o clima e as alterações climáticas, a actuação política de Trump, a crise dos refugiados, o desprestígio direccionado para as mulheres e as demais crises que o planeta enfrenta, as palpáveis e as de ideais.

Neste tema não há excepção entre a excelência musical, com letra e instrumental de qualidade máxima, e a arma, viva e intensa, que é cada faixa de ANOHNI, pousada na existência agridoce de se viver em estados de alma tão pesarosos.

O tema “Paradise” repete a designação do EP, que terá seis temas e exibe faces das figuras femininas que surgiram nos vídeos de Hopelessness. Texto, de leitura aconselhada, que ANOHNI deixou a acompanhar o vídeo, na sua página de Youtube e Facebook mais abaixo.

Our new leaders hope to crush our spirits and expedite ecocide in the name of virulent progress, consumerism and false security.

Like Jihadis, many capitalists and Christians compulsively seek to facilitate a righteous “holy war”, or apocalypse.

For millennia, Men have enslaved women and attempted to appropriate female creative power, re-casting themselves as gods and creators.

This assault continues today in the forms of ruthless wealth and mineral extraction, genetic engineering, mass surveillance and war mongering.

But as Donald Trump and his cabinet now demonstrate, the skills encouraged in men by their biologies and the tools that boys master in the playground have not equipped them to deal with the unprecedented global crisis we are now facing.

Mothers, your sons are trapped in a nightmare; they are not capable of responsibly negotiating the destructive agency that they now wield.

More profound even than a crime against humanity, fathers and sons now compulsively prepare to commit ecocide, in a final and irreversible assault upon creation itself.

Only an intervention by women around the world, with their innate knowledge of interdependency, deep listening, empathy and self-sacrifice, could possibly alter our species’ desperate course.