O festival Post-Punk Strikes BACK Again segue para mais uma edição, desta vez a decorrer apenas no Porto e com data única. O conceito do festival, apesar de ter regredido em relação ao modelo de duas datas ocupadas no ano passado, mantém-se: mostrar que o post-punk não morreu. O género musical, onde se incluem gigantes como os Bauhaus, The Cure ou os Joy Division, teve o seu apogeu nos finais dos anos 70 e inícios da década de 80 mas não é por isso que, embora hoje em dia seja mais difícil descobrirem-se projetos contemporâneos do estilo, eles não existam. A segunda edição do festival decorre a dia 23 de setembro no Hard Club

Por isso, o festival pretende apresentar o que nos dias de hoje se faz no panorama post-punk, e para isso chamou seis bandas para demonstrarem a força do movimento ao público português: Mueran Humanos (Alemanha/Argentina); Bleib Modern (Alemanha); M!R!M (Reino Unido); Tisiphone (França); Ghost Hunt (Portugal) e Charnier (Bélgica).

Mueran Hermanos

Já conhecidos pelo público português pelas várias passagens pelo nosso país, destacando-se a edição 2016 do NOS Primavera Sound e, mais recentemente, o warm-up da edição deste ano do mesmo festival nos Maus Hábitos, a dupla germano-argentina de Carmen Burguess e Tomás Nochteff pisará agora pela primeira vez no palco do Hard Club. O som dos Mueran Hermanos, que combina a eletrónica com pré-gravações retiradas da vida real e ainda distorções de instrumentos, são híper-produzidos e reproduzidos até à exaustão de forma a construir um bloco sólido sonoro que a própria banda apelida de “rock betão”.

Bleib Modern

Única banda repetida em relação à edição do ano transato, os Bleib Modern trazem desta vez o novo álbum, Antagonism, para apresentar. Os alemães, cuja formação remonta a 2014, recordam um post-punk mais tradicional, mais virado para o uso instrumental das guitarras e da bateria e menos virado para o eletrónico, e representam uma versão mais purista do movimento, uma que remonta e se assemelha aos seus inícios, vindo o nome dos Bauhaus à cabeça em mais de uma música.

M!R!M

Iacopo Bertelli, italiano, mudou-se para Londres e aí adotou Jack Milwaukee como nome artístico. Daí, decidiu criar um projeto próprio, chamado M!R!M, que significa “Milwaukee Melodies”. Assim, o engenheiro de som italiano reconvertido em londrino lançou-se numa aventura musical que passa por sons carregados de melancolia e escuridão, mas nos quais se misturam sons ambient e eletrónica. O artista é fortemente inspirado pela década de 80, tanto por uma vertente old skool do hip-hop, como por uma vertante industrial da eletrónica e, como seria de esperar, pelo post-punk. Milwaukee faz agora nova passagem em Portugal – depois de já ter vindo a Leiria e Lisboa no passado – ,para apresentar o seu segundo álbum Iuvenis lançado este ano.

Tisiphone

O nome da banda francesa inspira-se nas Erínias (ou Fúrias) da mitologia grega, três representações da vingança. Tisiphone e as suas irmãs, Alecto e Megaera, eram as responsáveis por torturar os mortais julgados pelos seus pais, Hades e Persephone. O papel específico de Tisiphone, vingadora dos assassinatos, era açoitar os culpados até os enlouquecer. Um pouco assim com a música da banda, que vem para apresentar o seu primeiro trabalho de longa duração. O conjunto de Lyon, que regressa assim a Portugal depois de uma passagem no Monitor 2016 de Leiria, acerta os riffs agudos como chicotadas e leva-nos com o seu baixo numa descida bem profunda até aos lugares mais sombrios das suas – e das nossas –, mentes.

Ghost Hunt

A representar Portugal neste festival estarão presentes os Ghost Hunt, dupla formada por Pedro Chau (The Parkinsons) e Pedro Oliveira (ex Monomoy, Spider, Belarmino). Este projeto baseia-se na união dos dois artistas enquanto procuram fugir um pouco aos seus meios musicais de origem. Formada em 2014, a dupla tem no seu currículo o lançamento de algumas demos, um EP e, mais recentemente, de gravações produzidas e orientadas por Jacco Gardner. Mais virado para o lado eletrónico, o uso dos sintetizadores e uma carga sonora elevada e batida rápida são das suas mais óbvias imagens de marca.

Charnier

Vindos diretamente do coração da Europa, mais precisamente de Bruxelas, os Charnier irão aproveitar o Post Punk Strikes BACK Again para cumprir a sua estreia absoluta em terras lusas com o seu muito bem recebido primeiro EP lançado em maio deste ano e que porta o nome da banda. Apesar de um poderio de bateria acentuado e o uso de riffs de guitarra sujos mas incisivos, os vocais sobrepõem-se e dominam os temas da banda. Com uma presença vocal imponente, os Charnier localizam-se numa zona das esfera post-punk na qual mais nenhuma banda presente no festival se situa: uma zona agressiva e mais crua.

Com um custo de €20, os bilhetes para o Post-Punk Strikes Back Again estarão disponíveis a partir do dia 12 de Julho na bilheteira do Hard Club, assim como nas lojas portuenses Piranha e Bunker Store. Para efetuar reservas ou comprar online, é necessário entrar em contacto por email.

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