Chegamos a “The Pugilist” sabendo exactamente o que esperar: uma voz suspirada e penetrante, atormentada, certamente, uma melodia que tem tanto de delicada e comovente como de triste e que frequentemente pesa no coração, reduz o espaço circundante e sufoca. E, ainda assim, o entusiasmo por uma nova canção de Keaton Henson não se refreia. Muito pelo contrário. É uma escultura que se vai aperfeiçoando, uma fórmula que, ainda que inúmeras vezes repetida, não parece esgotar-se.

“The Pugilist” em nada é diferente daquilo que conhecemos de Henson. Como de todas as outras vezes, provoca um murro no estômago, acendeia o pavio que desencadeia um turbilhão de sentimentos num mar acústico que ao longo do tema passa de calmo a revolto com ondas arrepiantes de orquestração à medida que se rogam compulsivamente torrentes de amargura nas palavras que compõem o verso “Don’t forget me…”  Uma confissão dramática, autobiográfica, autoconsciente e autodenunciada, Keaton despeja no tema a surpresa contínua e a interrogação inabalável de como trilhou, quase sem se aperceber disso, o caminho do anonimato rumo ao estrelato. Em entrevista à FADER, Henson confessa-nos:

 The Pugilist’ is an insomnulent song about the relationship between a musician and those that hear his songs. I often wonder what it is that makes me so compulsively make these things and put myself through it. And when trying to explain it, (even to myself) always come to the same image of some hogarthian lunatic rocking back and forth to the tune of “Don’t forget me.”

“The Pugilist” é o tema que nos aproxima mais ainda de Kindly Now, o terceiro álbum do britânico com lançamento para 16 de Setembro, depois de já revelado “Alright”, o primeiro single.

A beleza nas mãos de Keaton Henson