O silêncio profundo que ecoa dos britânicos Zero7 em tudo deixa antever que este hiato não esteja para ser quebrado. Yeah Ghost já leva com sete anos de distância e apenas os EPs Simple Science e EP3 nos dão a garantia que a banda continua viva e a produzir. Mas apenas os mínimos e com as atenções focadas noutras aventuras. Se de Sam Hardecker pouco ou nada se sabe, de Henry Binns sabe-se que anda para os lados do Equador.

Não, Binns não viajou para o país das Galápagos, do Chimborazo e dos Andes. Binns não se dedicou aos ritmos quentes da América do Sul. Binns juntou-se a Bo Bruce – uma das finalistas do primeiro The Voice no UK –, e dividiu o globo em dois. Os Equador são o novo projecto de Binns e Bruce. Um delicado mergulho no mundo do trip-hop sem colocar de lado os caminhos chilled que coloriam os Zero7 de uma paleta de cores jazzy e chilled suaves. Onde os Zero7 eram manhãs, os Equador são noites e madrugadas e o reflexo dos faróis dos carros em sentido contrário a brilhar na chuva que escorre no vidro da frente.

O primeiro single dos Equador sai a dia 01 de Julho pela Pegdoll Records. Acima do Equador vamos encontrar “Blood”, abaixo do Equador situa-se “Bones Of Man”, título que dará nome ao disco de estreia a ser editado em Setembro.

O psicadelismo electrónico de “Blood” pulsa lento como sangue grosso na corrente sanguínea. As duas vozes cruzam-se em dimensões distintas, em camadas frágeis, detalhadas e trabalhadas por um artesão cósmico de redes de beats etéreos e linhas de guitarra aquáticas. Algo que remete claramente para a Bristol dos anos 90, menos cinzenta, mais dreamy e mais pop. A voz de Bruce chama os sonhos dos Equador para as mesmas dimensões folk que Lou Rhodes chamava de suas mas com a soul de Skye Edwards nas investidas soul dos Morcheeba. Se houver um revival trip-hop ele pode bem começar aqui.

Visualmente maravilhoso, o vídeo de “Blood” remete a música para os conceitos de origem, de nascimento de tudo. O corpo da mulher enquanto partícula universal, o amor cósmico e da pele, a tempestade, o elemento animal no Alpha e no Omega de tudo.

Fica ainda a cover para “Break Me Gently” dos Doves que os Equador lançaram no início deste ano.