Contra todas as expectativas, e ao contrário daquilo que tinha sido previamente anunciado, o concerto dos Swans no NOS Primavera Sound não foi a despedida desta encarnação da banda de Michael Gira dos palco portugueses. Os Swans regressam assim para fazer as cerimónias fúnebres em sala antes do fundador e principal rosto de um dos colectivos mais influentes e carismáticos da cena experimentalista norte-americana dar um novo rumo e uma nova roupagem a um dos seus projectos, relembrando uma poderosa obra tanto em nome próprio como com os Angels Of Light.

Michael Gira tinha já comunicado que os Swans iriam passar a ser uma plataforma giratória de convidados um pouco à semelhança do que eram no primeiro período de actividade entre 1982 e 1997, altura em onde passaram pela banda os mais variados elementos – Thurston Moore dos Sonic Youth foi um dos baixistas que colaborou na encarnação primordial -, e onde apenas Jarboe se destacou como fiel companheira de Gira, entrando na banda em 1985 e saindo apenas no primeiro canto do cisne em 97, mantendo ao mesmo tempo também ela uma carreira a solo de eleição.

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Com o regresso em 2010, Gira começava uma segunda vida e deixava para trás onze anos em formato folk com os Angels Of Light e seis álbuns de originais que só se afastaram do mundo apocalíptico dos Swans na roupagem com que se vestiam as composições, embora tenham mantido sempre a abordagem desafiante para contar as histórias densas e negras do seu principal compositor. Os Swans regressavam assim e, pela primeira vez com uma formação quase realmente fixa, e lançavam quatro discos que prosseguiram a imaculada colecção discográfica anterior e que viu The Glowing Man ser o último trabalho neste formato.

O disco saiu em 2016 numa joint venture da Young God – editora gerida e criada por Gira -, com a Mute. Já este ano, em maio, os Swans re-editaram The Great Annihilator, editado originalmente em 1995, e Deliquescence, um disco ao vivo gravado ao longo desta tour de despedida que esteve até agora apenas disponível no site da Young God mas que estará à venda nos concertos. Pelo menos, enquanto os únicos 3000 exemplares durarem. Não vai haver edição digital nem um repress por isso se ainda apanharem algum não hesitem em ficar com ele.

Swans - The Final Tour Poster Pt

Na primeira parte vai marcar presença o cabaret bizarro e a chanson noir de Baby Dee que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93 Will Oldham. A norte-americana traz consigo sete discos e a certeza de uma experiência a não perder.

Os Swans voltam numa co-produção entre a Amplificasom, que os colocou no palco do Amplifest em 2014, e a Uguru, às cidades de Lisboa e ao Porto no mês de outubro. Os concertos acontecem nos dias 08 e 09 de outubro, respectivamente, e as salas escolhidas são o Hard Club e o Lisboa Ao Vivo.