Pois que, apesar de todas as adversidades que conspiram mundialmente contra o uso de guitarras estridentes e difusas com vocais roucos a derramar umas boas doses de atitude, não deixou os domínios da Sup Pop, a mítica editora de Seattle percursora do que se convencionou chamar de grunge e dos seus apóstolos mais directos como os Nirvana, Mudhoney ou Soundgarden, sendo também casa-mãe de outros tantos géneros, de Father John MistyThe Afghan Whigs, de Iron & Wine a Weyes Blood.

Mas se é premissa verdadeira que o epicentro da Sup Pop se foi espraiando ao longo dos anos por outras chavetas sonoras, é também de louvar o compromisso da editora em não deixar cair em momento algum o legado do chamado “Som de Seattle” do qual um dia foi das mais importantes incubadoras. Os Bully são perfeito exemplo de uma aposta numa continuidade nas mesmas linhas sonoras que há cerca de duas décadas foram o espelho de uma contra-cultura e um dos movimentos mais disruptivos de que há memória.

Embora com morada fiscal em Nashville, os Bully de Alicia Bognanno pegam nos estilhaços de tanto do que restou da quase aniquilação do grunge pelo mundo fora e transformam-no pela segunda vez numa colecção de canções. Losing é editado a 20 de outubro e segue os passos do anterior Feels Like de 2015. A juntar-se aos anteriores singles “Feels The Same” e “Running“, encontra-se agora “Kills To Be Resistant”, uma afirmação inequívoca que o “Som de Seattle” encontra-se longe de ter os dias contados.