Dona de uma presença notável, Laura Pergolizzi, a artista por detrás do heterónimo (?) traz nos seus traços características que desencadeiam lembranças de alguns dos ídolos da música; o sorriso cativante e a interpretação intensa emanam semelhanças com Cássia Eller, ícone do rock brasileiro falecido em 2001, o seu modo de vestir e os cachos recordam Bob DylanLaura, que por ser uma pessoa directa e pragmática, resolveu que soava mais simples adoptar como nome artístico de LP e aquele com que se nos apresenta. Todos sabemos que um arranhão num LP pode estragá-lo por completo… mas um arranhão nos sentimentos de LP rendem belas, fortes e marcantes composições.

Se a presença de LP é cativante, a sua voz é imponente. O timbre grave impressiona e fascina a cada canção; quando se presume que ela já atingiu o seu clímax vocal, ela surpreende e consegue e ir mais além. A sua incursão pela aprendizagem do ukulele valeu-lhe a inclusão do instrumento nas suas melodias por pura curiosidade, por querer saber quais os sons que poderia retirar de cordas tão pequenos, e por isso hoje inclui-o nas faixas que compõe, onde coexistem também a guitarra, o baixo, a bateria, e os seus assobios – outra assinatura musical de LP – em perfeita simetria.

O álbum lançado em 2014 pela Warner Bros. Records Forever Now deu-lhe o reconhecimento já tão merecido: a canção “Into The Wild” foi tema do um anúncio do Citibank, o que chamou a atenção dos espectadores para a voz singular e os assobios constantes que não apenas enfeitam como completam a canção. Mais tarde é com o EP Death Valley de 2016 pela Vagrant Records que o nome LP ganha maior projecção.

O vídeo criado para a canção “Lost On You” é o remate final para impulsionar ainda mais um tema repleto de ecos vocais e força emocional. O pequeno filme é um brilho raro de sensualidade, um belo vislumbre sobre o fim de um relacionamento que ainda assim permanece sentido, um vulto que encara a protagonista em vários âmbitos, mas desaparece aos poucos diante da vinda de uma nova paixão. É o tipo de canção para ouvir inúmeras vezes em sequência, onde o volume máximo ainda parece mínimo para o tamanho da emoção contida no tema.

LP não é um falsete ou um estereotipo; é uma alma que aflora intensidade emocional a cada composição, uma mulher que passou a actuar cada vez mais livre e segura de sua identidade e versatilidade artística; uma elegante e cativante artista para os dias actuais.