O cartaz do Vodafone Mexefest está a caminhar a passos largos para a alta definição do alinhamento completo da edição de 2017. Com as primeiras confirmações em Junho passado assentes em nomes como Cigarettes After SexAldous HardingCharles Bradley & His Extraordinaires – que cancelou na passada semana toda a sua digressão devido a um novo combate com um novo tumor cancerígeno -, deu-se início a uma caminhada de confirmações que já garantiram encontros e reencontros com ChildhoodDestroyer, Julia HolterManel CruzPAULi, Songhoy Blues e Valete.

À primeira dezena de confirmações, juntam-se agora mais três compositores contemporâneos que reclamam a escrita de canções em vários formatos, vibrações e idiomas… mentira, são só dois idiomas diferentes. Em Perry na Georgia, cidade natal de Ernest Greene, o nome que dá movimento a Washed Out – projecto seminal daquilo que um dia foi chamado de chillwave -, não há mar, mas isso não impediu que a sonoridade do norte-americano tenha virado ao terceiro disco para uma aventura baleárica que apela mais ao corpo do que ao sonho. Depois de Paracosm e de Within and Without, discos centrados em sonoridades sempre electrónicas mas paisagistas e cerebrais, Greene dá o corpo ao manifesto e escreve um compêndio house sobre o vazio e o supérfluo das gerações actuais, recorrendo a uma imagética retro no mais recente disco, Mister Mellow, editado a 30 de junho pela Stones Throw e que veio acompanhado de um DVD que podem ver na íntegra aqui. Os Washed Out regressam a Portugal depois da passagem pelo NOS Primavera Sound de 2012.

De Minas Gerais, de onde também não se vê o mar, chega o brasileiro Momo. Brasileiro mas cada vez menos porque Marcelo Frota, aliciado por Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira a.k.a. A Banda do Mar, muda-se involuntariamente para Lisboa em 2014. Vem para tocar, com pouco mais de meia dúzia de concertos marcados, e apaixona-se pela capital portuguesa. Hoje Voá entre as duas margens do Atlântico, mas com a Madragoa como ninho. Cinco discos de originais, sendo o registo de 2017 onde se pode encontrar a voz de Camané, e o primeiro já com os ares do bairro tradicional alfacinha perfeitamente respiráveis entre as palavras e as notas do violão, fizeram até agora o caminho que o devolve ao Mexefest onde esteve em 2013 lado a lado com Cícero e Wado com o projecto Brasil D’Agora. Desta vez, Momo convida Camané para partilhar uma “Alfama” a dois e olhar o rio das colinas da cidade.

De Lisboa e sobre Lisboa, severo na estéctica, na voz e no nome, Luís é já inquestionavelmente um dos talentos maiores do novo reboom da música portuguesa, o primeiro do novo milénio. Dois discos de canções escritas de dentro para fora, emocionalmente tocantes e tanto com algo a dizer sobre o que lá fora é importante como com as coisas que afagam e afectam os afectos internos. Luís Severo tem mais “Cara d’Anjo” do que “Cara de Anjo Mau” mas foi ao piano que escreveu as canções do disco homónino como um Jorge Palma do século XXI. Severo vai ao Mexefest apenas com o seu piano nas mãos e as canções despidas de tudo o resto. Severo por Severo tal e qual como nasceram as músicas do disco deste ano.