Francisco Silva, inicia a sua actividade enquanto escritor de canções em 2001, com uma demo com os Alla Polacca: Old & Alla, mas é em 2003 que surge April, o primeiro álbum do projecto Old Jerusalem. É assim que começa uma carreira repleta de concertos, EPs e LPs bastante activa de onde se destacam: Two Birds Blessing (2009), Splitted (2006) em conjunto com Puny e Bruno Duarte e o mais recente A Rose Is A Rose Is A Rose.

Os Old Jerusalem sobem ao pequeno e cravado de historias recentes palco do Maus Hábitos, no dia 8 de Abril para a apresentação do novo disco. A sala está bem composta mas longe de esgotar. Vemos os elementos da banda a conversar nos momentos anteriores ao inicio do concerto, pelo que percebemos desde então que vai ser algo bastante intimista e de algum modo, com simbolismo pessoal.

O concerto começa pouco tempo depois do previsto. Francisco Silva sobe ao palco que partilha com um teclista, um baixista, um guitarrista lead e um baterista. Toda a plateia se senta no chão com um espaço confortável para respirar. Aquilo que pudemos sugerir ao início acaba por se confirmar, o concerto vai de facto ser intimista.

Francisco Silva começa com uma música nova: “Florentine Course” com uma vibe bem folky, apontamentos de guitarra slide, um baixo preciso e limpo e um piano eléctrico bem jogado. A atmosfera é morna e confortável, onde as cabeças abanam uns milímetros como que por força de um ilusório vento. Segue-se a faixa homónima de “A Rose Is A Rose Is A Rose” que mantém a paisagem quase western criada no início. Recuam depois um pouco na sua discografia tocando: “Joy Of Seeing You” e “One, I Should Know You” de registos anteriores. Retorna o caule à rosa com “All the While”. Continuamos confortáveis, como se o sol se pusesse atrás da banda e mantivesse a sala aconchegada. Entretanto num registo mais descontraído e talvez neo-folk ouvimos “One for the Dusty Road” que fez o baterista largar as baquetas e tocar com as mãos. A banda estava a fazer tudo visivelmente com toda a paixão, a dar toda a emoção na música, não se deixando levar pelo over-acting.

O concerto segue homogéneo, o que não é qualidade, nem defeito, é feitio. Provavelmente é esta homogeneidade que nos aconchega na actuação dos Old Jerusalem. O concerto continua sereno, não arrepiou, não nos levou às lágrimas nem aos gritos de euforia, mas continuava a deixar-nos uniformemente confortáveis. Houve ainda tempo para recordar Bowie com a quase homófona “Gene Genie”, a ferida continua aberta ainda que a estrela negra do Camaleão brilhe bem alto.

A certa altura, Francisco Silva, cataloga os seus concertos como “choninhas” o que motivou uma risada colectiva. Alguém visivelmente bem “hidratado” chega a dizer a Francisco para chorar, o que fez o próprio artista esboçar um genuíno riso. Diz ainda em tom de ironia que teve a brilhante ideia de tocar algumas musicas sozinho para conferir dinâmica ao espectáculo, e assim fez. A banda sai do palco e o frontman do projecto assume a solo “Song of Dapnhe” e “Charm”. Os restantes músicos regressam para a teórica conclusão do concerto “Airs Of Puberty”, que nos remete para diferentes épocas e referencias comparativas desde R.E.M. a Bob Dylan, apanhando pelo meio os mestres Neil Young ou Don McLean. Mas como toda a rosa tem um espinho escondido que nos pica, os Old Jerusalem aparecem com dois que têm por nome de “Arduinna And The Science Boy” e “Stroll” que marcou especialmente por se mostrar aparentemente mais longa em comparação com as restantes e num registo diferente com um clímax quase shoegaze, de um strumming mais agressivo que chega a rasgar uma careta a Francisco.

Os Old Jerusalem fazem música bonita, que esquiça paisagens abertas, um risonho sol e rosas…. muitas rosas. O concerto foi extremamente competente, foi bonito, foi aconchegante. As pausas não foram excessivamente longas apesar da necessidade de reafinar guitarras pela impossibilidade de ter mais do que uma. Fica a vontade de os ver num sunset em terras Lusas, com um cheiro a relva sentados no chão num dia morno de primavera.

 

Fotografia de Marcelo Baptista.

Old Jerusalem @ Maus Hábitos