Ninguém sabe bem ao certo o que andaram os MGMT a fazer nos quase cinco anos de intervalo que se mantiveram arredados dos discos – o último álbum, homónimo, saiu em 2013 e o próximo, Little Dark Age, tem já encontro marcado com os players de eleição para algures durante este ano.

Certo é que a banda de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser parece ter entrado numa cápsula que os tem levado a viajar no tempo até ao imaginário gótico-romântico da primeira metade dos anos 80 – aquele que serviu de cenário aos Ultravox, Duran Duran, Depeche Mode ou Gary Numan -, primeiro no coro portentoso de sintetizadores do tema-título em Outubro, e dois meses mais tarde, já de forma menos vincada mas ainda bem dentro da chaveta etiquetada de new romanticism, com “When I Die“.

Agora, os norte-americanos baralham o deck de cartas e, quando se esperava uma sequência sonora coerente e mais ou menos em linha com os temas anteriores, Andrew e Ben sacam de um naipe até agora desconhecido, e fazem uma espécie de truque de ilusionismo com o terceiro single. “Hand It Over” chega já sem quaisquer vestígios de eyeliner, camisas de folhos ou luvas pretas de renda e recua ainda mais no tempo até décadas e sonoridades mais contemplativas.

Imediatamente atirado logo nos primeiros segundos para o universo característico e único do psychpop dos Tame Impala, que evolui ao longo da canção para uns Foxygen mais vibrantes, polidos e menos lo-fi – também bastante menos territoriais no que respeita à retenção das ambiências mais puristas da década de 60 -, “Hand It Over” expõe o lado mais suave, dreamy e até lânguido da banda.

Little Dark Age será o quarto registo de estúdio dos MGMT – depois de Oracular Spectacular (2007), Congratulations (2010) e MGMT (2013) e leva o sela da Columbia Records. Desconhece-se ainda a data oficial de lançamento mas segundo o New Yorker deverá sair durante o mês de Fevereiro.