Estão com o vosso bilhete para o escapismo na mão? Acomodem-se no carrinho de um banco solitário da montanha-russa, fechem os olhos, entrem no túnel e oiçam. Guitarras estratosféricas e baixos pronunciados envolvem uma voz que vos sopra no subconsciente ideias cósmicas, guiando-vos para fora da realidade. Os acordes florescem e coloram a transição e está carimbado o passaporte para Em Busca da Viagem Eterna, o segundo álbum dos Bike, lançado em abril.

A banda de São José dos Campos, São Paulo, teve um ano intenso com espectáculos em mais de 50 cidades do Brasil em 2016. Seguiu a rota dos festivais nacionais, fez o seu nome na cena, figurou em listas de melhores do ano e deixou, provavelmente, muita gente por aí high. As experiências na estrada transformaram-se num disco que expande todo o universo itinerante em que viveram, cantado em bom português. A banda confessa:

Tudo foi feito muito rápido, durante a estrada… Cada um ia mostrando o que ia fazendo e, quando dava, rolavam algumas jams”, diz o guitarrista Diego Xavier em nota. “Testamos coisas novas, muitas vozes e coros, puxando um pouco mais na criação sem perder a essência do primeiro trabalho.

Com mensagens subliminares fazendo referência ao antecessor 1943, as letras de Em Busca da Viagem Eterna mostram o campo artístico alucinógeno que a banda criou em torno de si, com referências que passam por música clássica, filmes do cineasta Alejandro Jodorowsky, atmosferas criadas pelo músico neozelandês Connan Mockasin ou os King Gizzard & The Lizzard Wizard.

O Alejandro Jodorowsky foi uma grande influência para o disco, desde a música homenagem ‘A Montanha Sagrada’, o uso do Eneagrama e outros elementos do tarot de Marselha na arte do álbum e referências no clipe que lançamos e nos que estão por vir.

Um outro exemplo é a nostálgica “A Divina Máquina Voadora”: “Sentindo a brisa na estrada eu vou / E eu confiei nesses meninos / Sonhando alto sem lombada eu vou / É tudo o que sempre quis”. Já “Do Caos ao Cosmos” remete sutilmente a São Paulo num breve poema sobre o tempo e as ilusões da vida numa cidade grande. Na contramão, “Transa” é uma brisa mais tropical e relaxante, provavelmente inspirada numa praia pintada por Moebius.

A sonoridade vintage do álbum é fruto da mixagem analógica feita pelo australiano Rob Grant no Poons Head Studio na Austrália que também cuidou pessoalmente de álbuns do Tame Impala e Death Cab for Cutie. Ainda que esteja surfando na onda psicadélica dos últimos cinco anos, os Bike fortalecem-se no cenário com criatividade, evitando fórmulas e buscando uma conexão profunda com as próprias composições e suas raízes.


Os Bike desembarcam pela primeira vez no Primavera Sound de Barcelona, fazendo a sua estreia nos palcos europeu mas antes tocam em Lisboa e Leiria seguindo só depois para Barcelona e voltando novamente para Portugal para mais quatro datas. Podem conferir o percurso dos tupiniquins no flyer em baixo. Além do álbum e vídeos novos, a banda formada por Julito Cavalcanti (guitarra e voz), Diego (guitarra e voz) e Rafa Bulleto (baixo e voz) ganhou o reforço de Daniel Fumega (Macaco Bong), na bateria. Entre as bandas brasileiras no festival, estão também O Terno, Aldo the Band, Quarto Negro, o produtor Nuvem e as bandas Water Rats e Mahmed, belíssimos representantes da cena nacional brasileira efervescente na nova MPB, post-hardcore, música electrónica e rock alternativo.

A viagem completa dos Bike, para ouvir aqui em baixo.

Conhece também as bandas brasileiras no Primavera Sound de Barcelona.