O delicado mundo da folk nunca cessa de surpreender e abrir as portas a novas e emergentes vozes, que apesar de flutuarem actualmente no espaço bem longe do pastiche dos tops, ganham ainda assim uma crescente popularidade sem esforço. Em 2014, quando Julie Byrne lança o seu primeiro álbum Rooms With Walls and Windows, o burburinho que se gerou e os elogios que se sucederam em redor da jovem compositora foi unânime, com um muito claro apontar de dedo ao universo de Angel Olsen.

Três anos mais tarde, a norte-americana edita o segundo trabalho discográfico, Not Even Happiness, um álbum assente essencialmente em tons confessionais de uma vida em constante movimento, que reflecte a inquietação e desassossego de novos lugares e pessoas, e as diferentes perspectivas e aprendizagens que daí resultaram.

A natureza nómada de Byrne, serve de base ao romantismo e melancolia sonhadora que se desprende da sua voz e dos dedos que percorrem a sua guitarra. Uma narrativa imersiva e calma, sem explosões dramáticas que quebrem a fragilidade da narrativa e da beleza cativante da sua música, cheia de espaços e silêncios que carregam em si uma multiplicidade de emoções.

Follow my voice, I am right here
Beyond this life, beyond all fear

Not Even Happiness é um antídoto perfeito para combater os dias em que o mundo se torna um lugar demasiado feio e cruel e só apetece enrolar num cobertor, aquecer as mãos numa chávena de chá, enquanto se deixa a suavidade e delicadeza da voz de Julie Byrne embalar as emoções e tornar-nos uma das suas notas.

A sua estreia em Portugal desdobrar-se-á em três datas espraiadas por três locais no próximo mês de Junho. Julie Byrne actua dia 13 no Teatro das Figuras, em Faro, dois dias mais tarde em Lisboa, num concerto promovido pela galeria Zé dos Bois e que se realiza no Teatro da Trindade. A norte-americana sobe ainda ao norte e apresenta-se no gnration, em Braga, a 16 de junho.