Em alturas mais conturbadas da nossa vivência, muitos de nós têm um sítio – ou vários –, que serve como “refúgio”, onde podemos por momentos esquecer o que nos atormenta ou fatiga. Sejam físicos ou psicológicos, esses lugares estão muitas vezes associados a memórias de experiências passadas, o que nos ajuda a ganhar perspetiva sobre o presente como forma de melhor encarar o que ainda está por vir.

Se esses lugares pudessem tomar a forma de uma banda (ou vice-versa), os Riding Pânico seriam o resultado. Por muito que os membros se aventurem por outros projetos, não há ano em que não dêem sinal de vida – um concerto aqui, uma curadoria no Milhões de Festa acolá. Com o aumentar progressivo da actividade nos últimos meses, chega agora o clímax natural em forma de disco – Rabo de Cavalo, editado a semana passada, é a confirmação de que o sexteto não perdeu uma pinga da identidade que os distingue dos pares.

Longe de se poderem considerar uma banda prolífica (o novo longa-duração é apenas o terceiro em mais de dez anos), a banda conseguiu mesmo assim atingir e manter um estatuto de culto, que em segunda análise até pode ser parcialmente devedor à presença efémera nos ciclos de notícias e concertos. Mas quem já os apanhou ao vivo saberá que a questão é mais profunda: em concerto, os Riding Pânico são um portento de energia, aliando o peso da distorção com a leveza exploratória, combinação que não deixa ninguém indiferente. Melhor do que tentar explicar o que foge ao concreto será testemunhá-lo em primeira mão: o concerto de apresentação de Rabo de Cavalo é já esta quinta-feira (16 de março) no Musicbox.

O pontapé de saída para o novo disco foi dado por “Rosa Mota”, um carrossel de guitarras gingonas que, sem mexer muito na fórmula, mostra os Riding Pânico a explorar novos terrenos sónicos de forma subtil. O vídeo, que podem ver em baixo, foi produzido pelo colectivo TODOS com realização de Frederico Miranda. Enjoy the ride e até quinta.