Os Temples vêm à superfície com a explosão das suas cores cada vez mais pigmentadas de eletrónica nas suas linhas psicadélicas entrelaçadas ao pop rock e não olham para trás; antes, seguem adiante pisando fora das fronteiras estabelecidas no seu primeiro álbum.

Ainda em pleno 2016, os britânicos tinham já apresentado duas canções do novo álbum: “Certainty”, que mais tarde recebeu uma remistura bem caprichosa de ninguém menos que dos Franz Ferdinand, e “Strange Or Be Forgotten”. É sobre o segundo, o mais recente a ser disponibilizado e que leva agora tratamento visual, que James Bagshaw, o vocalista da banda, revela maior apreço.

O vídeo foi realizado por James Beale sendo que, desta vez, são mesmo os Temples que estão por detrás das câmeras, registando toda a acção. A letra da canção para Bagshaw está aberto a interpretações, porém, a realização do vídeo procurou revelar o interior dos seus participantes, fazendo explodir diante das câmaras os impulsos criativos guardados e os conflitos interiores. Uma bela condução ao íntimo de cada participante, permitindo vir à tona as singularidades que guardam: os Temples vão além da mera moldura.

Vê também: Temples – Strange Or Be Forgotten (Live @ Le Quotidien)

“Strange Or Be Forgotten” traz distorções dançantes, e a melodia ganha peso nos teclados que funcionam também como um apoio impecável para o timbre suave de James durante o refrão, marcando simultaneamente a canção no seu andamento final juntamente com a vibração sorrateira da guitarra principal. Assim, a canção ecoa uma vibração que tendem a torná-la uma das mais orelhudas de Volcano.

O segundo trabalho de uma banda, lançado hoje pela Heavenly Recordings, vem com a pressão de superar Sun Structures, o disco de estreia de 2014. Comparações serão inevitáveis, mas os Temples encontram-se a explorar de maneira consciente as suas possibilidades, saindo da zona de conforto da estreia que poderia seguir garantindo boa aceitação. Que continuem adormecidos para explodir belas cores e efeitos sintetizados, como os que prometem lançar com Volcano.

I feel like this record is better (…) I guess it’s to not be afraid to pull away or pull things in a different direction. No one wants to repeat themselves.