Existem bandas que aglomeram em seu redor e com igual predominância a influência e a essência de vários prismas de pensamento e manifestações artísticas, reflectindo-as num todo único sublime e subliminarmente uno em torno da sua música. Os Fields Of The Nephilim são uma dessas forças quase paranormais e decididamente espirituais que conseguem conjurar imaginários específicos da 7ª arte, da espiritualidade, da religiosidade primordial, das mitologias históricas e esotéricas, da poesia mais ou menos ancestral, da filosofia menos ou mais oculta. Uma lenda que reza várias lendas.

Nascidos na mente profundamente tocada em tenra idade pelo livro de Enoch e pelas lendas dos Watchers e Nephilins de Carl McCoy, os Fields of The Nephilim surgem como uma força suprema e uma civilização avançada na cena alternativa inglesa do começo da década de 80. Uma estética perfeitamente desenvolvida que recuperava para um imaginário negro e apocalíptico o cinema de Sergio Leone e os Spaghetti Westerns da década de 60 envolvidos num misticismo que assombrava todas as outras faces daquilo que já se chamava à altura de goth-rock, deixando para trás na corrida ao trono de um movimento que se auto-retirou das luzes do dia para um submundo e uma cultura fechada em si mesma e simultaneamente aberta aos mundos que a quiseram visitar durante os 30 anos subsequentes. Os barões fundadores da doutrina gótica – leia-se The Mission, Sisters Of Mercy, The Cult ou Bauhaus -, por altura do primeiro álbum dos Fields, estavam ou já extintos ou a debater-se com os espíritos da criatividade, deixando espaço para a reinvenção, quiçá a primeira verdadeira evolução dentro do género.

Dawnrazor em 1987, The Nephelim em 1988 e Elizium em 1990, os três primeiros discos de originais de uma discografia que completa este ano as 3 décadas desde o disco de estreia, e o posterior Earth Inferno, registo ao vivo editado em 1991, marcam a encarnação inicial e a passagem da banda pela Beggars Banquet antes da separação das águas. Carl McCoy avançava a solo para o projecto Nephilim onde viria a gravar apenas um disco, Zoon, em 1996 que o traria nesse mesmo ano pela primeira vez a Portugal para a segunda edição do Super Bock Super Rock, enquanto os restantes Peter Yates, Paul e Nod Wright e Tony Pettitt formavam os Rubicon, banda também de existência efémera entre os anos de 92 e 95 onde deixaram como marca os discos Room 101 e o muito adequadamente intitulado What Starts, Ends.

Anos mais tarde o regresso da banda original é anunciado mas nunca cumprido, e só em 2005 McCoy consegue trazer ao mundo o quarto longa-duração dos Fields Of The NephilimMourning Sun alargava o espectro sonoro da banda recorrendo ao peso das guitarras e aos ecos industriais da obra dos Ministry. Nenhum dos membros originais acabou por voltar ao núcleo da banda, e Carl McCoy assumiu-se como membro único do seu próprio legado contando com um constante carrossel de músicos que o acompanham quer em estúdio quer nas raras aparições ao vivo.

Ao que tudo indica, haverá para breve – com a relatividade inerente ao conceito de tempo vivido no mundo de Carl e dos seus Nephilim -, mais informações sobre o quinto disco oficial que, não tendo qualquer outra indicação, tem o working title de The Darkness Before Dawn. Em 2014 a banda esteve em estúdio e o resultado das gravações deu até agora os singles “Earthbound” e “Prophecy” que podem ouvir em baixo bem como recordar Paradise Regained, o DVD que regista o concerto dos Fields Of The Nephilim em Dusseldorf em 1991.

Depois da estreia na cidade do Porto a 06 de Fevereiro de 2010 no Coliseu da cidade, os Fields Of The Nephilim regressam à Invicta no próximo dia 31 de Março de 2018 no Hard Club. Os bilhetes têm o preço único de 25euros e ainda não há a confirmação sobre de quem irá assegurar a primeira parte do concerto.

Fields Of The Nephilim @ Hard Club, Porto

Fields Of The Nephilim @ Hard Club, Porto