Será já pela 13ª vez que o Out.Fest irá abrir um mundo de possibilidades sónicas à sempre ecléctica e regadíssima cena cultural do Barreiro. O festival de música exploratória anuncia o primeiro conjunto de nomes que irão estar presentes nos dias 6, 7, 8 e 9 de outubro. Para já, uma densa viagem espacial fica confirmada com seminais percursores do rock psicadélico japonês que, juntamente com uma das instituições mais importantes do jazz da actualidade, assumem-se como os principais destaques. O psicadelismo mas também a vanguarda digital, a irreverência artística e a corajosa demolição de barreiras são os ingredientes de uma receita que se quer fazer ecléctica, desafiante e marcante. Vamos então às confirmações:

Acid Mothers Temple

Formados em 1995 e subdivididos em várias encarnações e versões de membros rotativos como qualquer clássica banda de rock psicadélico, os Acid Mothers Temple podem ter sido formados numa altura em que o britpop atingia o seu auge supremo, mas a alma da música que fazem pertence genuinamente a um outro tempo. Fazendo as coisas à moda antiga e soando perigosamente expansivos, os titãs nipónicos vêem na sua música uma dose pesadíssima de caleidoscopia e confusão. Alucinação é a palavra correcta.

Evan Parker, Lê Quan Ninh

Entretanto, e levando já uma respeitada carreira nos circuitos de vanguarda, vem Evan Parker. A instituição jazz que apresenta faz-se da alma livre do seu saxofone, com o qual improvisa ao sabor do vento e do requinte. Após 15 anos desde a sua última estadia, Parker vem a Portugal comandando um trio também composto por Barry Guy e Paul Lytton. De Paris, chega também Lê Quan Ninh, respeitado percussionista francês, também forte adepto da improvisação e da experimentação assídua (chegou a gravar com John Cage). No Barreiro, virá dar um concerto a solo bem como dar um workshop ainda não especificado.

Tropa Macaca, Ondness

De Portugal, os nossos próprios Tropa Macaca atravessam o outro lado da margem com o seu avant-rock por vezes tão sinistro quanto morbidamente perverso e aliciante. A falta de clareza sobre as direcções onde pretendem levar os seus temas resultam sempre nas mais bizarras surpresas, com o horizonte infinito e aluado a trazer-nos um ambiente esterilizado mas fervorosamente palpitante e orgânico. Indubitavelmente uma das propostas mais interessantes vindas do nosso país, este casamento entre a marotice de uma guitarra e os sempre vigilantes sinais electrónicos valerá a pena ser encontrada. O mesmo vale para o também luso Ondness, cuja carreira já o levou sucessivas vezes em digressões internacionais onde teve a oportunidade de espalhar as ambiências das suas experiências sonoras e esculturas feitas não de arame, mas de frequências. Expansivo, ambíguo e um engenheiro de novos mundos e sensações, faz música para se sair do concreto.

Sonic Boom

Por fim, não se pode contornar a presença de Sonic Boom. Ele é Pete Kember e deixa a sua marca no mundo da música maioritariamente pela produção de discos como Tomboy e Panda Bear Meets The Grimm Reaper (do homónimo animal felpudo), bem como Congratulations (aquele que para muitos, será sempre o mais ousado dos MGMT). Noutras paragens, foi também um dos fundadores da instituição psicadélica dos Spacemen 3. Residente agora em Portugal, traz ao Out.Fest o seu projecto EAR (Experimental Audio Research), uma deambulação reflexiva e laboratorial sobre que sons se podem descobrir e o que fazer com eles num contexto de partilha e comunhão.

Foodman

Lançado numa demanda igualmente exploratória está Foodman, compositor nipónico e artista visual que procura constantes e aberrantes novas formas de casar a música de dança electrónica com as mais variadas idiossincrasias culturais e tecnológicas.

O Out.Fest, lembramos, volta a decorrer entre 6 e 9 de outubro em vários espaços da cidade do Barreiro. O preço para o passe geral está afixado nos €20 até dia 9 de setembro. Mais informações sobre o festival poderão ser encontradas aqui.