22 e 23 de Abril foram os dias escolhidos para a realização da 4ª edição do Party Sleep Repeat. Após ser considerado o melhor festival indoor da Península Ibérica, o evento realizado na Oliva Creative Factory em São João da Madeira, estendeu-se por mais um dia com o objectivo de continuar a promover o que de melhor se produz no panorama musical português. Em mais uma edição em homenagem ao conterrâneo Luís Lima, jovem que perdeu a luta contra o cancro e que nutria uma forte paixão pelas artes e pela cultura, contaram-se concertos eléctricos, suados e muita festa.

O início das hostilidades esteve a cargo dos Miami Flu, banda oriunda de Vale de Cambra que deu a conhecer o seu novo registo Too Much Flu Will Kill You.

Entre sonoridades psicadélicas e surf rock, introduziram temas como “Wonderland”, “Sugarcane” e ainda o single de apresentação “Vicious Pill”, viagem ansiolítica que nos transportou do introspectivo ao tumultuoso.
Distorções, mudanças de ritmos e jams pautaram assim o arranque das festividades, num registo descontraído que ambientou o público.

Segunda paragem para os Basset Hounds, banda lisboeta que dispôs de guitarras aéreas conjugadas com reverbs e baixos vigorosos.
Em território experimental, perdido entre o psicadelismo e o shoegaze, brindaram o público com temas como o novo single “Bossa”, dedicado às meninas, “Arabica”, guiado por cores de Verão e distorções, “Marr” e “Young”, hino à eterna juventude.
O dinamismo melodioso entre acordes impetuosos finalizou com “Over the Eyes”, primeiro single do grupo, dedicado à plateia.

 

Dispensando apresentações, os PAUS iniciaram o concerto com “Era Matá-lo”, tema do mais recente Mitra, que deu o tom para um concerto intenso e aguerrido. Conquistando o público desde as primeiras percussões, a banda conduziu uma viagem sónica, sempre acompanhada por ovações e palmas que se estenderam até ao encore. Entre conselhos que encorajaram os membros do público a ligar às mães, apelaram ao riso e ao download ilegal do novo álbum (desde que a plateia continuasse a marcar presença nos concertos e a comprar t-shirts), ouviram-se temas como“Mudo e Surdo”, “Pela Boca”, “Fumo”, “Deixa-me Ser” e “Bandeira Branca”. Com os ouvidos consumidos, o público pediu mais e a banda atendeu num encore esfuziante que definiu o concerto como o melhor da tour do novo álbum.

Estacionada em território electrónico, a Oliva Creative Factory recebeu os Holy Nothing, projecto portuense que apresentou o álbum de estreia Hypertext, editado em 2015.
Conduzido pelas hipnotizantes animações projectadas e pelos ritmos assertivos da electrónica, o concerto atingiu o público subitamente, numa viagem de sensações inteligíveis.
“Cumbia”, “Mind” e a já conhecida “Rely On”, ecoaram entre cores, movimentos e batidas que reivindicam uma linguagem própria, decretada sobre sintetizadores e ambientes espaciais.

Os mais resistentes permaneceram ainda para ouvir as sonoridades ambientais de MVRIA. Transformado em pista de dança, o espaço repercutiu batidas ambientais, resultantes de influências Techno e House, que fecharam assim a primeira noite de festejos.

A abertura da segunda noite dedicada à música nacional esteve a cargo dos GANSO.
Surgidos em trajos peculiares, mais tarde justificadas como sendo do Sr. Nicolau Ramalheira, alma gentil que os acolheu na sua primeira estadia em São João da Madeira, a banda apresentou temas do seu recente EP Costela Ofendida. “Pistoleira”, “Lá Maluco”, e a musa “Idalina” conduziram o concerto num itinerário bizarro, que culminou num rap improvisado dedicado ao público de “San Juan”.

De visita à era psicadélica, os Equations iniciaram o concerto com sincronizações de sintetizadores e bateria. “Slow Trials”, foi a senha para o arranque de uma actuação repleta de loops fundidos com guitarras distorcidas e jogos de luzes dissolvidos pelo ritmo.
A sonoridade mágica dos sintetizadores, fundida com as fortes batidas percutidas e guitarras estridentes davam a conhecer “Hightowers”, primeiro registo do colectivo do Porto. “Ascent”, “Atmos/ Every Thought Was a Grain” e a derradeira “SSSUUUNNN”, traduzidas por instrumentais diluídos e melodias em crescendo compuseram um concerto atmosférico e catártico.

00h45 foi a hora (a)guardada para a recepção dos Capitão Fausto. Introduzidos por “Wuthering Heights” de Kate Bush, tomaram posições e trouxeram como primeiro hino “Morro na praia”, início de apresentação do recente “Capitão Fausto Têm os Dias Contados”. Acompanhados por um público sempre efusivo e enérgico, seguiram-se “Célebre Batalha de Formariz”, “Litoral” e “Os Dias Contados”, a mais entoada até então. Entre danças descontroladas e moshes despoletados por acordes vigorosos, a plateia nunca esfriou, mantendo-se fiel às odes lusas interpretadas pela banda. Tempo ainda para “Alvalade Chama Por Mim”, acompanhada de uma guitarra acústica com impacto ambiental, “Amanhã Tou Melhor” e a última “Verdade”  que colocou o ponto final na actuação mais calorosa da noite.

De regresso à electrónica, Xinobi voltou a colorir o palco da Oliva Creative Factory com luzes psicadélicas que prometeram um concerto de ambiências sonoras. O crescendo de batidas e os baixos potentes trouxeram de volta os clubes nocturnos dos anos 90, transformando o recinto numa infindável e elogiosa rave. Mais tarde, os Bandido$ juntaram-se à festa e com o set ilusório e contaminado de ritmos dançantes encerraram esta edição de Party Sleep Repeat.

Esta foi mais um edição organizada pela Associação Cultural Luís Lima (ACLL) com a co-organização da Câmara Municipal e a parceria da Junta de Freguesia de S. João da Madeira e da Associação de Jovens Ecos Urbanos. A receita dos bilhetes reverteu este ano para o projecto “Apadrinhe esta Ideia”, que se dedica a recolher alimentos para famílias carenciadas do concelho e para Liga Portuguesa Contra o Cancro, no apoio à formação e investigação em oncologia.